sábado, 19 de julho de 2014

THERE ARE LETTERS & LESSONS...

Há cartas que não são para serem escritas.
Há cartas que ficam na nossa mente, talvez mais ainda, no nosso coração.
E às vezes é preciso tempo, para melhor incorporarmos as lições que o Ashtanga sussurra, nos nossos ouvidos, dia atrás de dia. Para lá do torce aqui, roda para ali, salta para acolá, nesta dança especial de respirações e movimentos, há todo um contexto que muitas vezes não temos tempo para sentir. Só passado anos de prática consistente, depois de muitas idas ao tapete, é que lá começamos a entender, que realmente há muito mais que o visível. Depois de levarmos o corpo a uma limpeza total, de praticarmos a conjunção da respiração com as posturas, de aperfeiçoarmos os Vinyasas, de adquirirmos experiência na arte dos Bandhas e de conseguirmos gerar tamanho calor interno, que suamos poças de águas que enchem as roupas de transpiração. De passarmos pelas tais e queridas, boas práticas, pelas menos boas, as fáceis, as  difíceis, as leves e as perras, num mundo infinito de opostos. Superando a preguiça, ganhando disciplina, Bhavana e em primeira instância, um Sadhana, uma prática. Depois disto tudo, é que poderemos  perceber uma outra das lições do tapete, e que é fundamental para alcançarmos o tal Nirodha, o tal conceito que Patanjali refere no primeiro Pada, falo de Vairagya, o difícil desapego.

Conseguir aceitar e entregar-nos ao momento presente. Conseguirmos aceitar o que ficou lá atrás, as alegrias e as tristezas e movermo-nos num presente com serenidade e especialmente paz interna. Sim, há cartas que  não se escrevem, que ficam guardadas nos "rascunhos" das nossas caixas de email, palavras que nunca serão lidas, não como forma de apego, mas o contrário, por uma aceitação profunda, uma libertação extrema, um equilíbrio renovado.
Para estendermos o tapete mais uma vez, para mais uma prática, onde mantemos o silêncio por duas horas, onde estamos dentro do Shala mais famoso do Mundo, com o professor mais reconhecido do Mundo, com praticantes dos 4 cantos deste mesmo Mundo e sentimos a percepção que entramos, permanecemos e saímos de cada uma das  posturas, com essa mesma sensação de liberdade, de entrega, e desapego. Praticando não só Ashtanga, mas Vairagya. Sim, há cartas que não são para serem escritas. Há cartas que ficam na nossa mente, talvez mais ainda, no nosso coração, nos "rascunhos" das nossas caixas de email, não por apego, mas porque um dia a lição assenta e a liberdade chega. E soltamos o corpo, a fantástica mente e o coração para algo que realmente conta, a aceitação do presente.

A estabilidade de sentirmo-nos aqui. Apesar de todas as condicionantes, estar nesta posição, nesta respiração,  ou sentados na cadeira de verga, com a porta aberta da casa, por onde vento das monções da Índia entra em forma de brisa fresca, toca ao de leve este corpo, faz levantar a minha face, lá fora decorre  mais um dia, os vendedores de papaias param porta à porta, as vizinhas limpam as entradas das casas, os homens lêem os jornais nos muros...Aceitar, entregar e largar...  Vairagya!
Até amanhã tapete...

There are letters that are not to be written.
There are letters that stay in our minds, perhaps even more, in our hearts.
And sometimes it takes time to better incorporate the lessons that Ashtanga whispers in our ears, day after day. Beyond the twists, the spinning, the jumps, this special dance of breaths and movements, there is a all context that often we do not have time to feel. Only after years of consistent practice, after many times on the mat, we start to see that there is really much more than the visible. After we take the body to a complete cleaning, of  practicing the conjunction of breath with the postures, of  improving the Vinyasa, gaining experience in the art of Bandhas, being able to generate internal heat, sweating puddles of water that fill the clothes of perspiration. Passing by the dear and good practices, the less good, the easy ones, and the difficult ones, the light and the stiff ones, an infinite world of opposites. Overcoming laziness, gaining discipline and Bhavana, and in the first instance, one Sadhana, a practice. After all this, we can be able to understand another of the mat  lessons, and that  is fundamental to achieving the Nirodha, the concept that Patanjali refers in the first Pada, i m speaking of Vairagya, the difficult detachment.

Able to accept and surrounded us to the present moment. Accepting  what was back there, the joys and sorrows and move into a present of serenity and inner peace. Yes, there are letters that are not to be written, they are stored in the "drafts" of our email boxes, words that will never be read, not as a form of attachment, but the opposite, a deep acceptance, an extreme release, a renewed balance.
To extend the mat once again for another practice, where we remain silent for two hours, where we are in the most famous Shala of the World, with the most recognized teacher of the World, with practitioners from the 4 corners of this world and feel the perception that we enter, remain and we leave each of the postures, with that same sense of freedom, delivery, and detachment. Not only practicing Ashtanga, but Vairagya. Yes, there are letters that are not to be written. There are letters stay in our minds, perhaps even more, in our hearts, in the "drafts" of our email boxes, not by attachment, but because one day the lesson is felt and the freedom arrives. And we let go of the body, the fantastic mind and the heart for something that really counts, the acceptance of the present.

The stability of being here. Beside of all the constraints,  being in this asana, in this breath, or seated in the withe chair, with the door open, where the India monsoon wind enter in the form of cool breeze, touches lightly this body, lifting my face,  out there arises another day, papayas vendors stop door to door,  women neighbors clean the house entrances, men read the  newspapers ... Accept, surrounder and release... Vairagya!
See you tomorrow mat...

1 comentário:

Lucas Carvalho disse...

Adorei o texto! Muito verdadeiro... Vairagya, um aspecto difícil e super importante da nossa prática diária.

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