sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Food, Yoga & Life





Se nunca pensou sobre a sua alimentação e sobre o poder e influência dos alimentos que ingere, na sua prática e na sua vida, sugiro que se sente e verifique o seguinte : como é que normalmente se sente antes, durante e depois da sua prática de Yoga e qual é a sua disposição face às suas obrigações quotidianas? Tende a acordar cansado? Está no tapete com a cabeça a mil? Depois da prática, não consegue encontrar energia no seu corpo para ir trabalhar, levar as crianças à escola, ou simplesmente passear o seu cão? Opta por obrigar-se a tomar grandes chávenas de café para aguentar a sua jornada de trabalho?Questione-se sobre a sua maneira de sentir, pensar e agir durante a sua prática e o seu dia. Depois pense em como é que normalmente se alimenta, se toma o pequeno-almoço, se almoça e se janta em demasiada quantidade? Se consome excesso de alcool, fritos, açúcar, produtos refinados... excesso de hidratos de carbono... a seguir leve a sua mente a avaliar como é o seu processo de digestão e se tem facilidade ou não com o seu sistema excretor. Pergunte-se a si mesmo como é que fica depois de comer determinado alimento e refeição, este pequeno exercício mental é simples, basta fazermos uso das informações fornecidas pela nossa digestão e excreção e também pelos detalhes enviados pelo nosso sistema nervoso, que se pararmos e pensarmos, denotamos como ele nos mostra as nossas reacções físicas, mentais e emocionais.

Dayna Marcy, no seu artigo EAT LIKE A YOGI, publicado no Yoga Journal, afirma " ... imagine devoting your days to practice while feeding yourself nothing but sugar and caffeine. What effect would that have? It´s easy to see that a balanced, calm mind is much easier to come by, if you commit yourself to nourishing your body properly, just as you commit yourself to asana, pranayama and meditation...", ou seja se andamos a comer em excesso e a valorizar alimentos que não são muito saudáveis, tendemos a perder o estado de equilíbrio do nosso corpo e da nossa mente.

No Hatha Yoga (e o Ashtanga Yoga faz parte deste grande conjunto que é o Hatha Yoga) o nosso corpo deve ser o nosso templo, é o nosso veículo de vida, devemos manter o seu bom funcionamento e uma alimentação correcta, naturalmente fornecerá energia e saúde ao nosso organismo. Richard Freeman, no seu livro, "The mirror of Yoga: Awakening the intelligence of the body and mind", define Hatha Yoga como "qualquer prática que une padrões opostos dentro do sistema nervoso, para abrirmos e observarmos o centro (o núcleo) do nosso corpo", usamos a técnicas como asana, pranayama para chegarmos à observação da nossa alma.

Depois de analisarmos a forma de nos alimentarmos, de traçarmos uma ligação entre esta e a nossa digestão e excreção, de repararmos nas nossas acções, pensamentos e acções durante a prática de Yoga e no nosso quotidiano, convém lembrarmos-nos que não existem regras rigorosas, que o que funciona comigo, pode não funcionar convosco e que teremos de adaptar os vários princípios de uma "alimentação saudável" à nossa própria realidade.

É importante estudarmos um pouco sobre o que necessitamos de ingerir diariamente, nutrientes, vitaminas, proteínas (especialmente quem opta por ser vegetariano), hidratos de carbono simples e complexos, etc e da mesma maneira que ganhamos consistência na nossa prática de Yoga, aos poucos iremos mudando aqui ou ali, comendo mais isto ou aquilo, ficando com a sensação de uma maior leveza, mais felicidade e maior disposição para praticarmos e para vivermos integralmente os nosso dias.

Se optar mudar a sua alimentação, não o faça por pressões externas, não faça porque o seu professor disse que devia ser vegetariano, ou que devia seguir a abordagem da macrobiótica, ou que não devia comer 7 horas antes da prática, ou que não devia comer papaia à noite, ou que não pode beber água gelada, porque existem uma diversidade de crenças e mitos sobre a alimentação e a sua correlação com a prática de Yoga vão variando de praticante para praticante, de professor para professor, conforme as suas experiências pessoais. Lembre-se apenas que determinadas formas de alimentação e alimentos específicos puderam ajudar o seu corpo na prática de Yoga, mas terá de ser você a descobrir qual a abordagem a seguir, apenas por erro e tentativa, auto-estudo e pesquisa é que traçará o que melhor funciona para si.

Da mesma forma que escuta durante as suas aulas, que deverá ouvir o seu corpo, respeitar os seus limites, entrar em contacto com a sua própria natureza, através de uma respiração estável, serena e fluída, que implique movimentos graciosos, fáceis e seguros que projectam o seu corpo e a sua mente para um estado meditativo, de entrega e rendição, relembre-se também que na hora de cozinhar e de se sentar à mesa, que está a alimentar o seu corpo, o único corpo que terá nesta vida e que comendo mais consciente e atento, recolherá benefícios dentro e fora do seu mat.

* foto retirada da internet, de uma classe no KPAJYI.

sábado, 12 de novembro de 2011

A little (little) about hinduism






Eu não sou hindu, mas confesso que tenho uma enorme simpatia e identificação com alguns conceitos e deuses que fazem parte da tradição, crença e ritual desta religião. Cada vez que regresso a Mysore e que vivo em Gokulam, retomo a construção de uma maior recepção e ligação com estes conceitos e deuses, falo particularmente da noção de dharma, samsara, karma e de Ganesha, Hanuman e Lakshmi.

Compreender o Hinduísmo não é tarefa fácil, porque é uma religião que une uma diversidade de aspectos culturais e religiosos, que para uma leiga como eu, são verdadeiros paradoxos. Durante muito tempo considerei que o Hinduísmo era uma religião politeísta, porque faz referência e culto a uma gigantesca panóplia de deuses e deusas. Depois de algum estudo e pesquisa, compreendi que embora haja uma diversidade de deuses, que estes são manifestações de uma só identidade Superior, ou de um Supremo Absoluto, chamado Brahman.

Todos estes deuses são aspectos desta realidade superior, que não pode ser caracterizada, não tem forma, não tem género, porque esta identidade está em todo o lado, e tudo faz parte de Brahman. Cada Ser Humano tem uma parte de Brahman, o nosso Atman, a nossa alma.

Estes deuses são apenas aspectos de Brahman e em última instância são o próprio Brahman, mas não podem ser igualados ou comparados, porque Brahman é abstracta, não tem descrição, não é palpável e por outro lado revela-se em tudo e em todos, porque é a alma universal.

Brahman existe em tudo e tudo deriva de Brahman, por isso é que para o Hindu todas as coisas são sagradas, as plantas, as árvores, os animais, etc. Também acredita na reencarnação, que é a crença que a nossa alma é eterna, não acaba com a morte do nosso corpo, vive muitas vidas e em muitos corpos. Por vezes renasce num corpo humano, noutras num corpo de um animal, noutras num corpo de uma flor...

A alma passa por um ciclo de vidas sucessivas e a próxima reencarnação depende sempre das suas vidas passadas. As nossas acções presentes determinam o nosso destino nesta vida e nas próximas, Karma. Nós passamos por um ciclo de nascimentos e mortes (Samsara), que são determinados pelo karma, que depende da forma como agimos na nossa vida actual e nas anteriores.

O Hinduísmo é religião que acenta mais em práticas que em crenças, porque implica que as pessoas vivam de acordo com Dharma, princípios e condutas éticas e pelo respeito pelo Karma, de modo a chegar a Moksha, à liberdade deste ciclo de nascimento e renascimento, de união com Brahman.

Existem tantos deuses e deusas hindus, tantas histórias sobre os seus nascimentos, feitos e poderes, os meus preferidos são: Ganesha, o deus com cabeça de elefante, é tido como filho de Shiva e Parvati e tem como principal significado o de remoção de obstáculos, é também aquele que garante sucesso, riqueza e conhecimento;
Hanuman, o deus com cabeça de macaco, é símbolo de força física e mental, veracidade e lealdade, humildade e profunda devoção a Brahman;
e Lakshmi, a deusa da luz, da beleza, da boa sorte e da prosperidade.

Escrever sobre Hinduísmo não é de todo simples, porque engloba conceitos que necessitam de mais estudo, noções que se fundem noutras, tradições esboçadas em inúmeros rituais. Para se praticar Yoga, particularmente Ashtanga Yoga não necessitamos de ser hindus, ou de simpatizarmos com esta religião, podemos ser o que queremos e acreditar no que quisermos, a única coisa que necessitamos é de praticarmos a nossa sequências de respiração, movimentos e posturas e quer esta nos aproxime ou afaste da religião, de qualquer religião, o interessante mesmo é conseguirmos sentir mais o nosso corpo, a nossa mente e devagarinho, sem expectativas ou planos irmos saboreando a vivência da nossa alma.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Workshop Intensivo de Ashtanga Yoga com David Robson, nos dias 16, 17 & 18 de Março






DAVID ROBSON ESTARÁ NO NOSSO ASHTANGA CASCAIS, PARA UM WORKSHOP INTENSIVO DE ASHTANGA YOGA NOS DIAS 16, 17 e 18 DE MARÇO, 2012.



David Robson faz parte da nova geração de professores de Ashtanga Yoga que tem recebido o reconhecimento da comunidade Ashtangui internacional, não só por ser um praticante avançado, um professor Autorizado pelo Shri K. Pattabhi Jois Ashtanga Yoga Institute (KPJAYI), mas especialmente por primar por uma visão que implica levarmos as aprendizagens que interiorizamos na nossa prática de Yoga para a vivência do nosso dia-a-dia.

"The depth of the practice can´t be seen in asana. Somebody that can do a backbend and grab onto their ankles isn´t going to be further ahead in their practice than somebody who has trouble forward bending or is stiff. That doesn´t make a difference- that´s not what the practice is about." (citação de David Robson, no filme "Living the practice"). Talvez esta seja a razão que faz do seu Ashtanga Yoga Centre of Toronto, www.ashtangatoronto.com, uma das escolas no Mundo com o maior programa de aulas de Ashtanga Yoga, com dezenas e dezenas de praticantes que se juntam todas as manhãs para estudarem com este professor tão experiente e tão especial.


Programa


Dia 16, sexta, às 19h
"APRENDER A FLUTUAR" - A FILOSOFIA & PRÁTICA DO VINYASA,
Vinyasa significa sistema de respiração & movimento, pela sua sincronização teremos uma prática graciosa, fácil e confortável.
Esta aula explorará a filosofia e prática do Vinyasa como é tradicionalmente ensinado no Ashtanga Yoga.
(duração 2 horas)

Dia 17, sábado, às 8h
AULA GUIADA DA PRIMEIRA SÉRIE DE ASHTANGA YOGA - YOGA CHIKITSA,
com a contagem tradicional dos vinyasas em sânscrito, relembrando o praticante do número exacto de respirações de entrada, permanência e saída de cada postura.
(duração 2 horas)

às 11h
RETROFLEXÕES,
utilizando as posturas da primeira e da segunda série, aprendemos a correcta técnica e alinhamento para executarmos retroflexões confortáveis e profundas, compreendendo as posições e descobrindo como usarmos o nosso corpo para criarmos retroflexões livres de dores e amplamente benéficas para a nossa coluna.
(duração 2.5 horas)

Dia 18, domingo, às 8h,
AULA DE MYSORE STYLE,
a forma tradicional de prática e ensino do Ashtanga Yoga
(duração 2 horas)

às 11h
EQUILIBRANDO-NOS SOBRE OS BRAÇOS,
esta aula está estruturada para adquirirmos instrumentos chaves que proporcionam uma maior compreensão de como colocarmos o corpo, de modo a erguermo-nos em pinos, em saltos e outros movimentos onde colocamos o peso nos braços e mãos, assegurando a fluidez e leveza destas passagens e posturas tão intimamente ligadas à nossa respiração, foco ocular e bandhas.
(duração 2.5 horas)


TODAS AS AULAS ESTÃO ABERTAS A INICIANTES AO ASHTANGA YOGA

CONTAMOS COM MAIS UM WORKHOP PROFUNDO, INSPIRADOR E INTENSO, que pretende trazer a cada praticante um sentido de interioridade concebido pelo VINYASA, DRISHTIS E BANDHAS, segundo a tradição de Shri K. Pattabhi Jois.

Inscrições e informações
em ashtangacascais@gmail.com
ou 916034770.

sábado, 29 de outubro de 2011

The power of TRANSFORMATION




Yoga é transformação.
Começamos por uma variedade de razões, continuamos por uma diversidade de inspirações e motivações, mantemos por uma incontornável sensação de mudança, de maturidade e crescimento.

O corpo e a mente vão reduzindo de tamanho e o coração cresce em forma e conteúdo, temos mais espaço para o cultivo da nossa alma e mais tempo para escutarmos e observarmos, não num contexto Egocêntrico ou num exercício para a Vaidade, mas num caminho de liberdade, um que dá a sensação única de criarmos mais veracidade, humildade e fé.

Esta prática de Ashtanga Yoga, quando feita 6x por semana, naturalmente obriga a uma percepção de superação, de remoção de obstáculos, físicos, mentais, emocionais e energéticos. Caminhamos de mãos dadas com Ganesha e vamos fazendo o nosso próprio troço, construímos o nosso futuro pela vivência do presente e deixamos um sorriso de maior satisfação e realização, quando paramos um pouco e recordamos como vivemos o ontem e como estamos a viver o hoje.

Teoricamente parece uma novela com final feliz, ou um filme romântico que sem surpresa acaba bem, na vida realmente são conjuntos de episódios, que necessitam de ser colados com muito bhavana, muita dedicação, disciplina, persistência, trabalho, consciência e quilos quilos de humildade.

Praticar este método de Yoga é mesmo um acto de fé, fé no método e fé nos nossos professores, quer seja aqui ou aí em Portugal, o segredo, a receita é sempre a mesma, praticar.
Podemos dissertar, escrever tratados sobre, ler os clássicos, discutir os grandes textos do Yoga, mas se não praticarmos apenas saberemos falar sobre o assunto, usaremos palavras genéricas sobre o que é o Yoga, mas apenas esboçaremos a sua superfície.

A experiência da prática é com certeza diferente de praticante para praticante, mas as mudanças são sentidas por todos, mais cedo ou mais tarde, vamos denotando em diferenças gigantescas no nosso corpo, mente e alma e é este poder de transformação, que vai iluminando o nosso percurso e estimulando ainda mais a nossa entrega e rendição.

*ilustração de Boonchu Tanti

domingo, 23 de outubro de 2011

...moving on.


Somos todos humanos e de vez em quando agimos mal, mas mesmo com esta noção, durante bastantes anos senti uma certa desilusão e guardei mágoa por algumas pessoas que se cruzaram no meu caminho, todos praticantes há mais tempo que eu e todos professores há bem mais tempo que eu. Pessoas que face a tantos anos de prática de Yoga, considerei e julguei que deveriam ter tido determinada atitude e maneira de estar. Guardei dentro de mim vários episódios que cedo fizeram-me perceber que ser praticante e professor de Yoga, não significava sermos Seres Humanos perfeitos, Seres Iluminados sem defeitos e no entanto não consegui deixar de olhar com pouca tolerância, os comportamentos Egocêntricos, as vaidades extremas, os interesses exagerados, os jogos falsos de mostrarem que são algo, quando na realidade não o são.

O ensino obrigou-me a tomar mais responsabilidade pela minha prática, mas nem por isso foi simples ganhar a consistência e disciplina que o Ashtanga Yoga obriga. Demorei anos a construir a minha prática de Yoga e quando optei por praticar sozinha, sabia as consequências desta escolha. Não ter um professor quotidianamente foi diversas vezes complicado, tinha inúmeras dúvidas, confusões, o que derivou em muitos erros e tentativas, uma aprendizagem pela experiência e por bater muitas vezes com a cabeça na parede e sabem que mais? Doía e custava muito não ter uma pessoa a quem pudesse perguntar ou pedir conselhos e direcções.

Cada vez mais, reconheço a importância de ter um professor, alguém em quem confiarmos, onde não há espaço para ressentimentos ou críticas. Ninguém é perfeito, todos temos acções menos boas e ter um professor é um privilégio, vir à Índia estudar com o meu, tem sido sem dúvida uma enorme oportunidade, mas devo reconhecimento e gratidão a todos os que me instruíram. Chega uma altura que há que largar a bagagem do passado e simplesmente seguir em frente e por isso as minhas desculpas pela demora e o meu sincero obrigada pela atenção e cuidado que tiveram enquanto me ensinaram os alicerces desta prática, durante anos fizeram parte do meu puja e estou-vos imensamente agradecida.

Percebo que ser professor não é fácil. Temos de separar bem os nossos papéis e mesmo assim pode acontecer agirmos mal, de vez em quando pode acontecer magoarmos alguém, mas se o professor tiver o coração puro, com certeza que os seus actos não foram feitos com o propósito de causar o mal, porque andar aqui a dobrarmos-nos para todo o lado, acaba por afectar a nossa mente e coração e gosto de pensar e de manter a fé que um dia, mais cedo ou mais tarde, tornamos-nos melhores pessoas.

Por isso fico angustiada quando passado tanto tempo e com total reconhecimento e aceitação que ninguém é perfeito e que a prática de Yoga desenvolve o nosso discernimento e deixa-nos mais em paz com o lado crítico, volto a cruzar-me com pessoas que fingem que são grandes Yoguis, grandes "Shantis Shantis", pura ficção. E que na sua vida privada, quando estão longe dos alunos, são pessoas violentas, pessoas mentirosas, controladoras, mas no dia a seguir estão em cima do tapete e até fazem segunda ou terceira série, levam os corpos para as posturas, porque com toda a certeza a cabeça e o coração estão longe de estarem presentes. Enfim... moving on... e darmos o nosso melhor, sem ficarmos com os actos dos outros dentro de nós.
Obrigada.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Perfil do Aluno - Pedro Terrinha



Nome
Pedro Terrinha
Idade
29 anos
Profissão
Administrativo

Quais as razões que motivaram a tua escolha por uma prática como o Ashtanga Yoga?
A procura de uma prática de Yoga tradicional e rigorosa.

Que diferenças identificas entre o Ashtanga Yoga e outros estilos de Yoga que já praticaste?
A fluidez e dinâmica da prática são únicas e fascinaram-me logo à partida, mas diria que a principal diferença, está na forma como conjugamos a respiração, posturas, drishtis e bandhas para transformarmos a prática numa meditação em movimento.


Achas que esta é uma prática mais fácil para os homens ou para as mulheres? E porquê.
... esta prática desafia-nos como seres humanos, independentemente de sexos, raças e idades, é Universal...

Se estivesses a aconselhar um amigo a começar a fazer Ashtanga Yoga, o que lhe dirias?
Diria que tenho fé nesta prática, é uma ferramenta de auto-conhecimento que nos pode auxiliar em todos os aspectos da nossa vida.
"Keep practicing and don't Stop !"


Desde que começaste a fazer este método de Yoga, quais têm sido os maiores benefícios e as maiores dificuldades?
São inúmeros os benefícios, mas eu destacaria uma maior capacidade de controlar a minha mente, as minhas emoções e uma sensação de vitalidade única. A maior dificuldade tem sido a disciplina e regularidade que este método exige.

Quando pensas na tua prática, qual é a primeira palavra que surge na tua mente?
Fogo

terça-feira, 18 de outubro de 2011

How is to practice with Sharath Jois?



Como é praticar com Sharath Jois?

A minha resposta é fruto de uma reflexão que nasce por estar novamente nesta terra, a ter a oportunidade de estudar neste shala e com este professor. De cada vez que entro naquela sala, que estendo o meu tapete, rodeada de dezenas de outros praticantes, reparo como somos um grupo de pessoas distintas, de origens e línguas diferentes, com estaturas e tamanhos nada iguais e no entanto pressinto que, aqui, estamos todos para o mesmo, compreendermos um pouco mais esta prática que com esforço e cuidado mantemos nos nossos quotidianos.

De frente para aquele professor canta-se o mantra inicial e dá-se o começo de mais uma prática no KPJAYI, a cada indicação de Sharath, a cada nova instrução, a cada contagem do vinyasa em sânscrito para entrarmos, permanecermos e sairmos de cada posição, sentimos a temperatura a aumentar, o corpo mais e mais quente, gotas de suor a escorrer pelo rosto, pelos braços, pela barriga, pelas pernas...dobramos, esticamos, encolhemos, torcemos, rodamos, saltamos, giramos, como numa coreografia, em que a música é o som conjunto das nossas respirações e a canção as directrizes de Sharath.

Praticar em Mysore, com Sharath, é praticar sentindo uma intensidade quase inexplicável.

Uma que nos faz saltar por cima de obstáculos que anteriormente acharíamos como impossíveis de alcançar. Talvez esta energia seja fomentada por estarmos num país mais quente, por aquela sala ser, e ter sido palco de tantas práticas, visitada e acolhida por centenas de praticantes, ou por ainda reconhecermos a presença de Shri K. Pattabhi Jois (1915-2009), ou porque talvez, o seu neto imprima e sustente uma maior entrega, comprometimento e responsabilidade.

Praticar em Mysore, com Sharath Jois, significa escutar.
Escutar e confiar nas suas indicações e ouvirmo-nos a nós mesmos, à nossa respiração, ás reacções do corpo e sem expectativas, sem metas, deixarmo-nos ir na viagem interna de uma intensidade transformadora e integrante.

Mysore Style in KPJAYI

Pequena ilustração do artigo em cima, que demonstra a intensidade que vivo nesta sala. Uma ilustração que serve de inspiração para desenrolarmos o tapete e experimentarmos praticar com mais entrega e discernimento.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

PERFIL DO ALUNO - LARA HAYDEN























Nome 
Lara Hayden
Idade
26 anos
Profissão
Instrutora de Musculação e Cardiofitness


De acordo com a tua experiência como praticante de Yoga, quais as diferenças que identificas entre o Ashtanga Yoga e outro método que praticastes?
As maiores diferenças que encontrei foram na estrutura da aula, na sua dinâmica e da imensa importância dada à respiração que noutros métodos apesar de importante não é, como no Ashtanga, o ponto principal.


Foi fácil adaptares-te à prática de Ashtanga Yoga? Quais os seus maiores desafios?
Sim, foi fácil pois foi uma prática da qual imediatamente gostei e me identifiquei. Para mim o maior desafio é mesmo a regularidade que tento manter, da prática em si é o controlo da respiração de modo equilibrado e consciente e dos Bandhas.

De momento o que é mais importante para a regularidade da tua prática de Yoga, uma escola ou um professor e porquê?
Um professor, sem dúvida! Porque aprender pode-se aprender em qualquer lado mas só um professor me pode corrigir os erros, fazer evoluir do modo correcto e com confiança e levar a acreditar num determinado método de yoga como eficaz.

O que esperas do teu professor de Yoga?
Acima de tudo espero rigor, empenho, profissionalismo, saber, exigência e empatia claro!

E o que não esperas do teu professor de Yoga?
Não espero principalmente obsessões, como se nada mais existisse no mundo para além do Yoga e que só este exclusivamente trouxesse algum benefício.

Quais são as motivações que te fazem praticar Ashtanga Yoga?
Agrada-me muito a sensação de sair de cada aula, apesar de ser de manhã cedo, com a energia renovada e pronta para mais um dia!
Além de que sinto que a maneira de encarar o meu dia-a-dia se transforma para melhor a cada dia.


Quando pensas na tua prática, qual é a primeira palavra que surge na tua mente?
Empenho

Mysore 11



Mysore é uma cidade que é caracterizada por ser a casa do Ashtanga Yoga, onde centenas de praticantes de todo o mundo se juntam por uma causa comum, a prática. Estas estadias permitem-nos ganhar ainda mais inspiração e traçar sinceras descobertas sobre o nosso Eu, compreender os nossos limites e capacidades, superar os obstáculos do corpo, alguns entraves da mente e quem sabe, abrir um pouco mais a porta do coração.

Mysore é sempre um lugar que me obriga a tomar ainda mais responsabilidade da minha prática e da minha vida, um sítio que me relembra quotidianamente que o Yoga é para ser vivido fora do tapete, na minha relação e diálogo comigo mesma, na relação e interacção com os outros e na vivência e experiência com tudo o que me rodeia, mas acima de tudo, salienta a necessidade que seja praticado dentro do tapete, apenas pela experiência diária é que conseguimos avançar pelas posturas, para criarmos um corpo mais flexível, resistente, ágil, estável e saudável e estas características de corpo estendem-se também à mente e a nossa alma.

Estas viagens anuais ao KPJAYI, Shri Krishna Pattabhi Jois Ashtanga Yoga Institute permitem-me voltar a ser aluna, tendo todos os dias a graça de estudar junto do meu professor directo, Sharath Jois, o neto do emblemático Pattabhi Jois.
É fácil chamar-lhe de professor...
não porque é uma escolha cliché, mas porque foi uma decisão que veio do meu coração.

*ilustração Boonchu Tanti