sábado, 17 de setembro de 2011

Thank you.




Durante anos procurei por um professor de Yoga, mais tarde por um professor de Ashtanga Yoga, não falo de nomes ou endereços que indicam que determinada pessoa ensina Yoga, ou de moradas de espaços que oferecem aulas, mas a minha busca foi sempre por encontrar o Professor, aquele que acende a chama da nossa motivação, que inspira a praticarmos ainda mais, que instiga a nossa disciplina, que fornece informações chaves para uma evolução segura, precisa, rigorosa e duradoura.

E mesmo quando surgem bloqueios, quando aparecem obstáculos sabemos que está ali uma pessoa com quem falar e especialmente em quem confiamos. No fundo uma relação entre aluno e professor resume-se sempre uma relação de confiança, de amor, de respeito mútuo, é uma espécie de relação familiar, de link muitas vezes mais profundo e mesmo que caminho do Yoga se resuma a um trilho pessoal e individual, único, porque a minha versão, perspectivas e experiências sobre o Yoga serão diferentes de outras pessoas, a verdade é que, contar com um Professor para apoiar-nos e ensinar-nos é uma grande mais-valia.

Desde 1999 até hoje, pleno ano de 2011, conheci várias pessoas que leccionam Yoga e uns quantos nomes que ensinam Ashtanga Yoga, todos tiveram o seu papel no meu caminho, mas são poucos os que considero como meus professores.

Dentro deste grupo, tem sido uma enorme alegria cruzar-me com pessoas grandiosas, com gente humilde, com pessoas trabalhadoras, com seres humanos que praticam Yoga e o ensinam sem pretensão, sem vaidade, mas pelo contrário com ampla tolerância, com vigente inteligência, com rectidão e saliência no seu estudo e experiência.
Thank you Tim Feldmann.




*fotos por Pedro Terrinha
Workshop com Tim Feldmann, de 9, 10 & 11 de Setembro

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Perfil do Aluno - Carla Moreira


NOME
Carla Moreira
Idade
36 anos
Profissão
Accounting Manager


Após algum tempo a aprenderes Yoga num ambiente de ginásio, que diferenças identificas na tua prática agora que o fazes, num espaço exclusivo para o ensino de Ashtanga Yoga?
Praticar Yoga num ginásio é muito diferente de praticar numa escola. Num ginasio acho que yoga, seja ela qual for, é sempre vista como mais uma actividade fisica que está disponível. Não existem meios que nos permitam ligar directamente com a prática, que nos permitam evoluir, é muito dificil. A entrega é dificil e raras são as vezes onde é possível estabelecer uma ligação, sentir a energia e tirar proveito da prática.
Esta foi uma das razões quando decidi começar a praticar numa escola e há medida que o tempo tem vindo a passar, tenho ainda me apercebido de maiores diferenças, o estabelecer a ligação, quer com a pratica quer com o professor, a entrega total só é possível num espaço como este.
Aí é que iniciamos a verdadeira prática.


Quais as razões que te motivaram e que continuam a inspirar-te a praticares Ashtanga Yoga?
Praticar Ashtanga Yoga para mim, significa estar comigo mesmo, superar-me, o que nem sempre é fácil. É sobretudo sentir e desenvolver um estado de bem-estar e leveza, que acaba por me ajudar em todas as outras partes da minha vida.

Se tivesses de aconselhar um colega de trabalho a praticar este método de Yoga, o que lhe dirias?
É exigente, não é fácil, mas ao fim de cada prática o bem-estar, a calma e a leveza que se sente são muito bons. E de dia para dia vamos conhecendo melhor o nosso corpo, quase como se o conseguíssemos ouvir e sentimo-nos melhor.

Consideras que seria positivo para o seus colaboradores, se a empresa em que trabalhas organiza-se num contexto de team-building, um fim-de-semana de prática de Yoga, um retiro intensivo de Yoga? Achas que os colaboradores sairiam deste evento mais motivados para as suas responsabilidades e deveres profissionais e com vontade de manterem esta prática como ajuda na gestão do stress quotidiano? Se sim, porquê?Acho que uma acção de team building em que uma das actividades seria a pratica de Ashtanga Yoga talvez ajuda-se não só na gestão do stress diário, mas sobretudo acho que podia vir a ajudar a melhorar os níveis de criatividade e de inovação, uma vez que a pratica de Ashtanga liberta a menta e ajuda a focar as energias.
Um dia sem prática de Yoga significa?
Quando não pratico o meu corpo sente, mas é sobretudo a minha mente que mais sente a falta.

E um dia com prática de Yoga, que significado tem?
Um dia mais leve, tranquilo e com outra disposição.

Quando pensas na tua prática, qual é a primeira palavra que surge na tua mente?
Paz

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sadness and emptiness


A vida pode estar complicada, até pode parecer que não existem grandes soluções, até pode parecer que estamos num buraco escuro e que sufocamos a cada tentativa de inspirar, que não há para onde ir, que não há para onde fugir, que estamos obrigados a viver tamanha dor, tamanha perda, tamanha frustração, tamanho vazio.

Se a vida para alguns parece ter deixado de fazer sentido, onde a solidão, a tristeza e o desamparo já são partes integrantes dos seus corpos, das suas mentes e dos seus, já gastos corações, há que reparar a tempo nestes nossos familiares, amigos, conhecidos e até desconhecidos e com uma palavra amiga, uma palavra de Ser Humano, chamar por eles a tempo de evitar uma tragédia.

Se falarmos com psiquiatras, psicólogos ou outros terapeutas do âmbito da psique e das emoções, ficamos a saber que mais de metade da população têm doenças ao nível da mente e do emocional. Se não forem tratadas a tempo, são como um cancro que se espalha por todo o nosso organismo, levando muitas vezes a fazermos más escolhas, decisões dependentes dos nossos estados de espírito, já tão mitigados pelo sofrimento.

É tão triste saber que gente nova ou mais velha, pessoas que eram filhos de alguém, pais de alguém, irmãos de alguém, amigos de alguém, decidiram desistir de uma vida, que a cada segundo poderia mudar.

A cada segundo, mesmo quando tudo está mal, temos a capacidade de mudar o rumo do nosso destino, ás vezes vamos precisar de ajuda, seja de uma terapia, seja até dos famosos fármacos, seja por termos o ombro amigo de um filho que nos ouve, de um amigo que nos abraça ou até de um desconhecido que estende o braço e dá-nos a mão, para nos erguermos.

"Não desistir" são as palavras que devemos manter, mas também as que significam "lutar por nós mesmos, pela nossa felicidade, voltar a ter objectivos, trazer de volta o nosso sorriso, reaprender a viver momento a momento sem ansiedade, sem confusão".

Manter a simplicidade e a vontade pura de viver.
Todos temos problemas, todos temos algo para aprender, algo para superar. Não desistir e traçar um objectivo sincero para o nosso caminho, é um ponto importante quando lutamos pela nossa felicidade.

Perder um amigo, um familiar, ou ficar a saber daquela pessoa que já não vemos há imenso tempo, mas que fez parte da nossa infância, pessoas que de alguma maneira fazem ou fizeram parte da nossa história, que decidiram em consciência ou não, de irem embora, faz-nos pensar ainda mais no significado da nossa vida. O que é que andamos aqui a fazer? Estamos a criar um presente com significado? Estamos a criar um passado que honra a nossa essência?

Hoje acima de tudo, irei pisar o meu mat, praticar o meu Yoga com tamanha devoção pela minha vida, em honra aos que aqui estão e aos que já foram. Coragem, para todos os que perderam alguém, coragem, para todos os que continuam a lutar pelo seu próprio sorriso.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

"Living the Practice" - Ashtanga Yoga com David Robson



Uma verdadeira inspiração advinda do Canadá... um exemplo especial do que é ser professor de Ashtanga Yoga, do que é uma escola de Ashtanga Yoga, do que é ser aluno e praticante de Ashtanga Yoga, do que é e como funciona o Ashtanga Yoga.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Perfil do Aluno - Vera Garnel


Nome
Vera Garnel
Idade
43 anos
Profissão
Advogada
Como e quando ficou a conhecer o Ashtanga Yoga?
Em 2009 fui levada por uma amiga a uma aula. A componente de exercício físico descrita pela minha amiga foi francamente a força motriz.

Qual foi a primeira impressão desta prática de Yoga e o que a motivou e motiva a praticar este tipo de Yoga?
Não me lembro se terá sido a primeira impressão, mas cedo reparei que para além de representar um exercício físico fortíssimo (um desafio permanente até hoje), a prática é uma lição e treino permanente no viver e respirar 'agora'. Quando pratico, a intenção de concentrar-me na energia que existe em mim e colocá-la ao serviço das posturas, do movimento, do equilíbrio em vez do que se passa 'lá fora', o que se passou ontem, passará daqui a cinco minutos ou amanhã, é profundamente libertadora. A transpiração - por muito estranho que pareça - é purificadora, o relaxamento no final é descanso na verdadeira acepção da palavra. Nem sempre consigo concentrar-me totalmente, mas quando consigo é uma experiência difícil de descrever.. Cada vez mais, sinto que através da pratica consigo transcender o barulho mental habitual e apenas 'estar', com dores nos joelhos, irritações, medos, ..., mas sem qualquer julgamento.

Com uma vida profissional exigente e sendo mãe de 5 filhos, considera que o Yoga a ajuda a enfrentar as responsabilidades profissionais e familiares quotidianas?
Respondo-lhe ao contrário.
Quando por alguma razão não posso praticar durante algum tempo, todas as tarefas de que a minha vida é composta se tornam mais pesadas. É mesmo assim. Para além de ser, em muitos dos dias, o único espaço só meu, a pratica representa, entre outras coisas, uma tomada de responsabilidade pelo meu bem estar em primeiro lugar, como base para quaisquer responsabilidades perante os outros. E tem, de facto, um efeito muito surpreendente sobre a minha maneira de estar face às ditas 'responsabilidades'.


Aconselharia o Ashtanga Yoga, a outra mãe? Se sim, porquê?
Quando pratico em casa, o sucesso na plateia é garantido, claramente.
Aconselharia a outra mãe como a qualquer pessoa.


Quais são os maiories desafios que encontra na sua prática pessoal de Yoga?
Raramente são os mesmos dois dias seguidos, mas talvez derivem de uma matriz comum, estar totalmente CONSCIENTE da prática. Fora isso, magoar-me porque excedi os limites do meu corpo e ter que viver com isso, por vezes durante semanas, é um desafio.

Quando pensa na sua prática, qual é a primeira palavra que surge na sua mente?
Entusiasmo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Loving Kindness Meditation


Aprendi esta meditação no curso da Nancy Gilgoff, chama-se Loving Kindness Meditation, interiorizei na versão inglesa, mas com certeza que encontram a sua tradução.
É uma óptima forma de começar ou acabar o dia e não só nos acalma, como conseguimos trazer tranquilidade, paz e serenidade para o nosso corpo, mente e coração, mas também, enviar estas características para as pessoas que mais gostamos; para as pessoas com quem temos algum tipo de conflito; para alguém ou algo, que identificamos que são significado de paz, de felicidade, seja Jesus Cristo, Buda, Ganesha, a Madre Teresa de Calcutá ou a nossa avó, mas ainda e também, para pessoas que se cruzaram na nossa vida e que nos marcaram de alguma maneira e no entanto, são meros desconhecidos, seja o porteiro do nosso prédio, o mendigo de sorriso genuíno, que dorme junto do estacionamento onde deixamos o nosso carro, ou a senhora que todos os dias nos vende pão quente e que tem olhos que demonstram, uma vida de trabalho.

LOVING KINDNESS MEDITATION

MAY I BE FILLED WITH
LOVING KINDNESS

MAY I BE WELL.

MAY I BE PEACEFUL AND AT EASE.

MAY I BE HAPPY.


(Sente-se numa posição confortável de pernas cruzadas, endireite a sua coluna, coloque as suas mãos sobre os joelhos, ou execute o Jnana mudrá (juntando o polegar ao indicador, esticando os restantes dedos, rodando as palmas da mãos para cima), ou opte por outra posição, em que as suas mãos permitam estar conectado.
Feche os seus olhos, até ao final da meditação.
Sinta a sua respiração, sinta-se presente na sua respiração.
Encha os pulmões de ar e esvazie, sempre pelo seu nariz.
Faça respirações conscientes, prolongadas e lentas.
Vá aos poucos, interiorizando onde está e o que está a fazer.
Leve à sua mente, a imagem do seu corpo, sentado, nessa mesma posição e repita mentalmente,
May i be filled with Loving Kindness. May i be Well. May i be Peaceful and at Ease. May i be Happy.
Repita algumas vezes, sejam 5, 10 ou 15x, até verificar que estas características estão em si, no seu corpo, na sua cabeça, no seu coração.
Visualize, agora, mentalmente, a imagem de alguém, próximo, um familiar, um amigo.
Alguém que ame, alguém que é importante na sua vida, traga-o para junto de si e afirme
May you be filled with Loving Kindness. May you be Well. May you be Peaceful and at Ease. May you be Happy.
Reproduza as vezes necessárias, até sentir que enviou estas características à pessoa que escolheu.
A primeira pessoa que surgir à sua mente, é a pessoa escolhida.
Não troque de pessoas. Mantenha a sua primeira escolha.
Respire.
Vai agora visualizar alguém. com quem tem ou teve algum problema, algum conflito, chame esta pessoa (mentalmente) para junto de si, quer esteja à sua frente ou ao seu lado, afirme,
May you be filled with Loving Kindness. May you be Well. May you be Peaceful and at Ease. May you be Happy.
Repita estas frases, as vezes necessárias, até sentir que brotam do seu coração, passam por cima dos sentimentos, emoções, ou conflitos que tem ou teve com esta pessoa.
Sinta-se em paz e envie paz.
Escolha agora, uma pessoa, uma personalidade, uma identidade, algo que para você, tenha o significado de paz, de estabilidade, de felicidade e diga novamente as frases da Loving Kindness Meditation.
E por fim, irá eleger uma pessoa desconhecida ou um grupo de pessoas, que de alguma maneira a marcaram, que chamou ou chamaram a sua atenção e reproduza mentalmente, as palavras da Loving Kindness Meditation.
Termine a meditação, permanecendo alguns instantes em silêncio, consigo mesmo, com a sua respiração, com as palavras que evocou para si e para os restantes.)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

WORKSHOP INTENSIVO DE ASHTANGA YOGA COM TIM FELDMANN, NOS DIAS 9, 10 e 11 de Setembro




Programa
dia 9 de Setembro, sexta-feira, às 19h
aula " INTEGRAÇÃO DA RESPIRAÇÃO E DOS BANDHAS NO ASHTANGA YOGA"
interiorização da respiração e execução dos bandhas, localizando-os fisicamente, imprimindo uma qualidade meditativa na prática, acentuando o seu potencial e mostrando como afastar a ansiedade e stress quotidianos, através de uma prática de Yoga fluída e focada.
(duração da aula 2 horas).

dia 10 de Setembro, sábado, às 8h
aula de Mysore Style
(duração da aula 2 horas)

às 11h
aula " 5 PASSOS PARA SALTAR À FRENTE E ATRÁS"
desafiando a gravidade através de simples mecanismos anatómicos, associados a determinados pontos de alinhamento, desenvolvendo força interna, que coordenada com o peso do corpo e sincronizada com a respiração, cria fluidez e eficiência na hora de saltar.
(duração da aula 2.5 horas)

dia 11 de Setembro, domingo, às 8h
aula de Mysore Style
(duração da aula 2 horas)

às 11h
aula " STHIRAM SUKHAM E RETROFLEXÕES"
estimular um estado de Sthiram Sukham Asanam, um estado de firmeza e conforto em cada postura.
Reconhecer os princípios anatómicos de alinhamento e estiramento para executar retroflexões, suportadas pela consciência no corpo, aumentando a circulação de energia que percorre a nossa coluna.
(duração 2.5 horas)

As aulas de sábado e domingo serão todas no período da manhã.
Entre a prática de Mysore e a aula seguinte, faremos uma pausa, das 10h até às 11h, para comermos algo leve e conversarmos um pouco com o Tim, com tempo para perguntas e respostas sobre a prática.

O local do workshop -
de momento a sala do Ashtanga Cascais está lotada, até ao dia 20 de Agosto, enviamos a nova localização do espaço.

Valor do workshop -
120 euros
pode ser pago parcelas de 2x 60 euros.

Se pretendem participar neste workshop mas não têm disponibilidade para vir os 3 dias, podem frequentar apenas algumas aulas, o preço por aula é de 30 euros, no entanto e de acordo com a opinião de Tim Feldmann, este workshop está criado para que possamos usufruir de novas perspectivas e instrumentos para a nossa prática diária de Ashtanga Yoga, fazendo sentido de estarem em todas as aulas, porque terá uma componente prática muito forte, mas também trabalhará em particular, pontos fundamentais deste método de Yoga, a respiração, os bandhas, a coordenação da respiração com os movimentos e posturas, a consciência do corpo e a correcta atitude mental.

Se tem oportunidade, não deixe de se inscrever neste fim-de-semana intensivo de prática e estudo de Yoga.

Inscrições em
ashtangacascais@gmail.com
916034770

domingo, 31 de julho de 2011

Ashtanga Yoga, Crise, Troika e FMI


Antes ou depois das aulas, há sempre algum tempo para 3 ou 4 dedos de conversa com os alunos, muitos aproveitam para desabafar um pouco, é aqui que fico a saber a razão porque estiveram tão leves durante a prática, porque esboçaram com mais facilidade um sorriso, porque conseguiram estar mais focados, porque tiveram mais determinação, porque deram mais de si, ou pelo contrário, porque estavam mais cansados, mais tristes, mais preocupados, mais desatentos, mais perdidos, mais angustiados. Vários têm lamentando que a vida está complicada em Portugal, que tudo é mais caro, outros afirmam cabisbaixos que perderam os seus empregos, uns mostram-se desconfiados e amargurados quanto ao presente e futuro e outros, salientam as saudades de outros tempos. Mas também há, os que refilam que estão com pouco tempo, pois o emprego que têm, exige cada vez mais dedicação e existem ainda, os que entram calados e saem mudos, mas nota-se que as suas preocupações são muitas, com a ideia de, "o que fazer depois do verão? ".

Que estamos todos metidos numa grande alhada, isso todos já sabemos, também já compreendemos, que andamos a pagar mais por tudo, seja a comida que compramos no supermercado, a gasolina que utilizamos nos nossos carros e toda uma série de serviços que consumimos nos nossos quotidianos. Que uma boa parte da população está com a corda no pescoço com os empréstimos ao banco, pela a compra de casas, carros, etc e que uma grande parte dos portugueses está no desemprego ou em risco de desemprego, enfim, os problemas são vários, mas, e o que fazer depois do verão?

Para muitos não existe um depois, as estações do ano há muito que deixaram de ser influência para alguma coisa, quer haja sol ou chuva, quer esteja quente ou frio, o que interessa é chegarem a uma solução e com optimismo, trabalho, dedicação, sacrifício, desenham em centenas de folhas de papel os seus planos para voltarem ao mundo do trabalho, talvez de início não sejam os empregos dos seus sonhos, nem sejam trabalhos no curso em que se especializaram, outros, colocam em prática antigos sonhos, juntam-se a outros colegas, que como eles, querem uma vida melhor, uma vida com significado.

E quer seja verão, quer ainda hajam subsídios, ou não, esboçam conscientemente saídas para a sua crise pessoal, independentemente da Crise em que o país se encontra. E são estas pessoas que fazem a diferença, porque invés de estarem deitadas na toalha a apanhar sol, na espera inútil que as soluções caíam do céu, procuram novas oportunidades usando o seu corpo, a sua cabeça e o seu coração, enchem cadernos e cadernos, com planos e ideias e criam novos negócios, abrem hipóteses para nichos que o mercado ainda não tinha satisfeito, geram novas empresas portuguesas, lutam por colocar o nome de Portugal, como um país não de Crises, de Troikas e FMIs, mas um Portugal sofisticado, cosmopolita, atraente, criativo e credível.

São também estas pessoas, que me inspiram, porque fazem da mensalidade do Yoga, um verdadeiro investimento, usam este dinheiro e vêm religiosamente às aulas, criam saúde nos seus corpos, audácia nas suas mentes e conexão com os seus corações, mantendo a prática de Ashtanga Yoga, como mais um plano, mais um item na sua lista de objectivos, que com uma determinação, que nasceu de uma Crise, esbarra janelas de tantas novas oportunidades.
Obrigada por estes exemplos,
de gente portuguesa,
digna,
trabalhadora,
audaz,
versátil,
humilde e completamente inspiradora.
Muito obrigada.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Keep going


A prática de Yoga serve como um reflexo de nós mesmos, como uma espécie de espelho que reflecte a nossa maneira de ser, de estar, de pensar e sentir. De início é um espelho sujo, manchado, que tem a capacidade de nos iludir, de esconder determinados ângulos, de ocultar pontos específicos que são constituintes da pessoa que somos ou que nos tornámos. Prática a prática, dia após dia, semanas seguidos de meses e anos, acabam por permitir que o espelho fique mais limpo, mais claro, mais visível e por isso, mais fácil de compreender o que deveremos mudar e o que precisamos de enaltecer. Este processo lento e doloroso, é também, altamente compensador e extremamente pacificador, remete-nos para um caminho de amor e paz connosco mesmos e para com os outros.


Mas seria hipócrita e amplamente falso, escrever, que o Yoga nos torna seres perfeitos, sem defeitos, sem espinhos, verdadeiros deuses na terra. Pode-se afirmar que a prática regular nos faz conectar com o nosso corpo, compreender melhor os estados da nossa mente e que gradualmente, abre as portas do nosso coração, mas esta descrição, não surge de um dia para o outro e muitas vezes nem sequer acontece. Para alguns praticantes de Yoga, a mudança ainda está muito longe, a vivência de uma tranquilidade inabalável é um verdadeiro mito, uma utopia digna dos grandes clássicos.


Este estado de amor e paz não é permanente, não se conquista como se fosse um prémio, exige muita dedicação, sacrifício e mesmo por estes, nem sempre conseguimos vivenciar esta realidade tão pouco concreta, que não é palpável, mas que existe, nem que sejam em breves instantes, enquanto mantemos qualquer uma das posturas, reconhecemos a nossa respiração, focamos os olhos num determinado dristhi, sentimos o silêncio que advém de dentro de nós e a inerente tranquilidade.


Prática a prática coleccionamos momentos, pequenos segundos onde saboreamos o estado de Yoga e mesmo para os "normais", como eu, ou como tu, ou como vocês, que sentimos que praticamos há tanto tempo e que o corpo continua fechado, a mente teima em ser ansiosa, o coração sofre pelas oscilações do Feliz e do Infeliz, do Fácil e do Difícil, à que recordar, que somos humanos e se para alguns é tão simples experienciar paz, para outros é mais complicado e dependerá de mais tempo. Nada como continuar a praticar, sem aspirações a prémios, ou expectativas, apenas com a sincera ideia que nos sentimos bem com este Yoga, que nos conforta e nos dá força, para vivenciarmos aqueles instantes, que vamos acumulando como oportunidades únicas de sentir tranquilidade e paz.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ashtanga Yoga versus Creativity?




O Ashtanga Yoga centra-se na coordenação de uma respiração consciente, controlada e ritmada, com um conjunto determinado de posturas, existe uma ordem precisa no seu seguimento e ainda um número exacto de respirações para entrarmos, permanecermos e sairmos de cada posição. Ou seja, segundo os princípios desenhados por Shri K. Pattabhi Jois (1915-2009) não respiramos de qualquer maneira, não executamos uma postura porque naquele dia nos apeteceu, não olhamos para os outros enquanto praticamos, não saltamos ou omitimos posturas, no Ashtanga Yoga de Jois, existem regras para praticarmos e apenas pelo uso das técnicas é que adquirimos controlo do corpo, da mente e união destes, com a nossa alma.


O ensino deste método de Yoga, poderá numa primeira análise parecer demasiado rígido, exigente e difícil, no entanto e apesar de praticarmos de acordo com um conjunto de técnicas, todos temos uma maneira muito própria de praticar, mesmo que executemos as mesmas posturas, as mesmas séries de posturas, o mesmo tipo de respiração, os mesmos focos oculares e os mesmos selos energéticos, porque não somos iguais, temos corpos diferentes, mentes e almas distintas.


Leccionar Ashtanga Yoga a artistas plásticos, escultores, actores, escritores, jornalistas, designers, arquitectos e outros praticantes que têm a criatividade misturada na sua personalidade e na sua maneira de estar, e que a utilizam como força motriz para o seu desempenho profissional, poderá ser visto como um trabalho ingrato. Todavia, este ensino não é militarizado, respeita as particularidades, as limitações e capacidades de cada aluno, mas para ser Ashtanga Yoga teremos que praticar segundo os moldes descritos no seu método, senão não seria Ashtanga Yoga.


Este Yoga não é contra a criatividade, nem pretende criar um protótipo de praticante robô, um conjuntos de praticantes mecanizados, e sim estudantes que sentem, que são conscientes dos seus corpos, das suas mentes e das suas individualidades, que "Através do nosso encontro diário com nós mesmos no tapete de prática, podemos observar os nossos temores e as nossas fragilidades e cada vez que os reconhecemos eles diminuem um pouco. E assim nos fortificamos tornando-nos mais estáveis e um pouco menos temerosos" (Asana e Lesões em Astanga Yoga, Matthew Vollmer, tradução Lucia Ehlers, Editora Aramytho).


A prática inspira e permite abrir as portas da nossa alma, chegarmos à nossa essência e termos mais noção do que somos e do que não somos, para onde queremos ir e onde não queremos voltar. Este Ashtanga Yoga não é uma prática militar, nem é uma prática standardizada, é sim, uma forma de conexão connosco mesmo, com os outros e com o que está à nossa volta.


* foto de Aula Guiada, no KPAJYI, em Mysore