terça-feira, 31 de maio de 2011

Um caminho


Não é novidade para ninguém o que se passa no nosso Portugal, os problemas são mais que muitos, o receio, a dúvida e medo é algo com que convivemos quando pensamos no nosso futuro. As soluções ainda parecem confusas, mas caberá a cada um de nós, que pretendemos ter uma vida estável, saudável e feliz, darmos o nosso melhor, arregaçarmos as mangas e trabalharmos, porque um país faz-se de gente e gente somos todos nós.


Somos um país cada vez mais consciente de uma realidade complicada, adversa e difícil, que implica de cada um, mais esforço, trabalho, dedicação, perseverança, disciplina, clareza e foco, de uma mudança na nossa mentalidade, de uma alteração na nossa conduta , de um recomeçar do zero ou de um continuar mais atento para sairmos, desta tão falada crise económica, política e social.


Teremos de utilizar a saúde do nosso corpo, da nossa cabeça e do nosso coração e lutarmos por uma vida de dignidade e de trabalho. É em tempos de crise, que reparo em como esta prática nos faz renascer, crescer, acreditar e lutar, que nos permite superar os nossos limites e posteriormente sairmos desta casa, com o tapete debaixo do braço, com um sorriso neutro nos lábios e uma sensação de novo alento e satisfação advindas do coração.


"Não é o mundo que precisa de paz, são as pessoas. Quando elas estiverem em paz dentro de si, o mundo estará em paz." (Prem Rawat)






*Jo Husson, Ashtanga Cascais, 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Idade não conta!



O nome desta praticante é Lauren Peterson, é uma reconhecida professora de Yoga americana, com regulares aparições em várias capas do Yoga Journal, ou em programas de Tv. É praticante de Yoga há mais de 20 anos e estudou e assistiu por mais de 10 anos, o também reconhecido professor Chuck Miller, talvez seja das poucas mulheres a praticar 4ª série e algumas posturas da 5ª.


Quando se vê imagens destas, é fácil ficarmos colados ao monitor, ainda mais fácil é questionarmos-nos sobre o relevo que a idade pode ter na nossa prática de Yoga e na nossa vida em geral. Para aqueles que consideravam, que idade, significa perda de força, de resistência, de agilidade, de flexibilidade, de capacidade de foco, concentração, destreza, vigor, com toda a certeza que estarão de boca aberta, enquanto vêem Peterson, a rodar para lá e para cá, a dobrar ali e a esticar para acolá, numa verdadeira coreografia de respiração, movimento e posturas.


Sem dúvida que a idade traz algumas dificuldades, mas se praticarmos regularmente, se nos disciplinarmos, podemos não alcançar o mesmo nível que esta professora, mas adquirimos aos poucos uma prática consistente, seja com posturas da 1ª série, da 2ª, 3ª A, B, C ou D, o que conta mesmo, é praticar.


Caminhar no quotidiano com a prática de Yoga como rotina é um verdadeiro privilégio, uma prevenção e manutenção de saúde, porque o corpo vai ganhando estabilidade e a mente vai ficando mais calma e conseguimos, devagarinho, uma maior conexão com a nossa alma.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Alguns testemunhos

















"O espaço da Herdade é de facto extraordinário, revela não só o gosto pela comunhão com a Natureza, como também a atenção aos pormenores e o gosto em receber bem. Foi a escolha perfeita para um retiro que se fez com o rigor que as práticas e o comprometimento connosco próprios exigem, e com a leveza e boa disposição que o desfrutar daquele cenário inspirava." Mónica R.


"...a Herdade é um sítio espectacular e lindo. Pudémos usufruir do convívio entre alunos e com a professora, do local, das aulas de yoga e principalmente dos conhecimentos teóricos essenciais para percebermos o porquê daquilo que praticamos. " Lara H.


"Vera, muito obrigada por acolheres esta "out sider"... Adorei a experiência, adorei a companhia, adorei o envolvente." Ana F.


"...foi optimo, tudo cinco estrelas. o sitio, os quartos, a comida, o staff, as pessoas e claro o retiro em si." Marta C.


"Fim de semana fantastico num retiro de Ashtanga Yoga! Sitio fantastico na Herdade da Matinha onde tudo é bonito e bom; um grupo de yogis muito giro e uma professora fantástica! Love it!" Margarida F.


"foi mesmo MUITO bom! vera é mesmo fantastica. A herdade um encanto... no meio do nada, com um ambiente muito acolhedor, e os donos fazem-nos sentir como se estivessemos em casa!" Margarida B.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Back home





Segundo as palavras de Tomaz Zorzo (professor Certificado pelo KPJAYI), o propósito de praticarmos Yoga é para retornarmos a casa, à nossa própria natureza, à nossa própria essência. Voltarmos a sentir, voltarmos a escutar, voltarmos a ter força interna, sabedoria, inteligência, amor e confiança.


A prática de yoga quando feita com regularidade, sem interrupções e por um longo período de tempo, possibilita superarmos as oscilações da mente e vivermos num estado de paz (nirodha). Somos constantemente enganados, iludidos, confundidos, influenciados e condicionados pela nossa mente (Chitta) que nos faz viver no passado, ou nos impulsiona a sonhar com um futuro, retirando-nos a consciência e a sensibilidade para saborear o presente, o agora.


O Ser Humano é constantemente enganado pela sua mente, porque se identifica com ela, se a vida corre bem, naturalmente nos vamos sentir bem, mas se a vida corre mal, a nossa reacção é estarmos mal. Oscilamos entre os opostos, como dependentes de uma realidade distorcida.


A prática regular de Yoga, permite traçarmos um caminho rumo a uma mudança de padrões de pensamento e de comportamento e viver o processo de descobrimento, de reconhecimento de que somos mais que a nossa mente, mais que o bem ou mal, mais que o feliz ou infeliz, mais que a sorte ou o azar, somos sim, seres responsáveis pelo nosso presente, repletos de potencial e capazes de sentir paz, bem-estar e silêncio interno.


A cada prática, há uma maior sensação de voltar a casa, de acalmar e mesmo quando tudo parece mal, tudo parece difícil, há que manter a esperança que melhores dias virão porque, pelo menos, pelo menos estamos em casa, estamos connosco mesmos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Retiro de Ashtanga Yoga, com a professora Vera Simões, dias 6, 7 e 8 de Maio, na Herdade da Matinha






Últimas vagas para o nosso primeiro retiro de Ashtanga Yoga, que decorrerá nos próximos dias 6, 7 e 8 de Maio, na Herdade da Matinha.
O charme e beleza desta herdade proporcionará o ambiente ideal para a prática tradicional de Ashtanga Yoga, sem as típicas correrias e responsabilidades de um quotidiano citadino. Rodeada por vales, repleta da natureza característica do nosso Alentejo, será o lugar perfeito para praticarmos o nosso Yoga, comermos refeições cuidadas e saudáveis, caminharmos a pé pelos trilhos que nos levam a vislumbrar o mar, passearmos a cavalo até às praias, sentarmo-nos a apreciar um bom livro nos vários recantos que convidam a tranquilidade e vivência completa da nossa interioridade, usufruirmos do sol junto à piscina, ou mergulharmos no mar das praias vizinhas...




Programa
dia 6, sexta

chegada à Herdade, ao final do dia.
Recepção com uma pequena reunião, distribuição dos quartos, com chá, bolinho e frutas.


dia 7, sábado
8.30-10.30h prática tradicional de Ashtanga Yoga
11h pequeno-almoço
dia livre
usufruir da Herdade e da natureza envolvente
18-20h pequena palestra sobre as características do Ashtanga Yoga, Aula de Vinyasa e Relaxamento Guiado.
21h Jantar


dia 8, domingo
8.30-10.30h prática tradicional de Ashtanga Yoga
11h pequeno-almoço
12h pequena palestra sobre a importância de uma prática regular, tempo para perguntas e respostas
dia livre
aproveitar as actividades da Herdade e da fantástica natureza que a rodeia
late-check out




2 noites, quarto partilhado (cama de casal ou cama individual),
chá, água, frutas no quarto,
2 pequeno-almoço,
1 jantar vegetariano,
3 práticas de Yoga,
2 palestras de Yoga,
late check-out de domingo.


Inscrições em -
ashtangacascais@gmail.com/916034770
reservas@herdadedamatinha/933739245


Estamos a receber as últimas inscrições, se está interessado não deixe de nos comunicar, de modo a assegurarmos a sua vaga.


Se há muito que necessita de uma pausa do seu dia-a-dia para recarregar energias, se começa a denotar que o seu corpo e também a sua mente lhe pedem um maior cuidado, se sempre quis iniciar a prática de Yoga, ou se já é praticante e tem curiosidade de participar num retiro, esta será a sua oportunidade. Vindo sozinho ou acompanhado, terá um fim-de-semana único, de práticas de Ashtanga Yoga e de tempo para beneficiar da Herdade da Matinha, no Cercal do Alentejo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Having a teacher









Para escolhermos um professor de Yoga, é necessário que façamos uma selecção sincera e que derive do nosso coração, não há grandes teorias sobre como escolher, uma vez que esta opção aparece naturalmente no coração do aluno, consubstanciado por um sentimento de admiração, respeito e uma enorme confiança para com esta pessoa. É preciso escutar o nosso coração e manter os olhos bem abertos, sem cairmos na ignorância ou sermos levados por modas e no entanto há que relembrarmos que um professor de Yoga, homem ou mulher, têm qualidades, mas como qualquer Ser Humano também terão os seus defeitos. Não existem professores de Yoga, santos, messias, existem sim, alguns, raros, que pela sua dedicação à prática e ao estudo do Yoga, desenvolvem características altamente motivadoras e que inspiram a olharmos a prática de outra perspectiva.


Ter um professor é uma grande benção, ter um professor de Yoga que é praticante, é duplamente uma benção, ter um professor que é também praticante e que se importa com os seus alunos, é uma tripla benção. Estas pessoas ajudam-nos na prática, abrem portas para chegarmos a determinado asana, instigam a praticarmos mesmo nos dias que não nos apetece, ou nos dias que o corpo nos dói. E que pelo seu exemplo no tapete e na vida, aceleram a vontade de darmos o nosso melhor dentro e fora do mat. Há muitos professores certificados e autorizados com o selo de Mysore, muitos outros que não têm o carimbo do KPJAYI e que continuam a ser grandes professores, também existem outros, que nem sequer ensinam Ashtanga Yoga, que leccionam outros métodos de Yoga e são pessoas que facilmente distinguimos como professores de Yoga muito especiais.


Entre as pessoas que nos vão ensinando, naturalmente decidimos qual deles é o nosso professor, até pode haver espaço para mais que um. Ter um professor de Yoga é uma grande honra, ter alguém que nos guia por este caminho, que não é de todo fácil, que nem sempre é alegre ou estável, alguém que nos ampara quando estamos prestes a cair ou a desistir, que nos coloca frente a frente com aquilo que normalmente tendemos a fugir, os medos, ansiedades, frustrações e o nosso Ego. Ter um professor com quem partilhar as dúvidas da prática, os erros e as vitórias, é algo muito especial.


Mais que um grande praticante de Yoga, que coloca a perna aqui e acolá, terá de ser honesto, com um coração puro, com capacidade de ensinar e explicar, que se importa com os seus alunos, que se esforça por criar as melhores condições para a prática e ensino de cada um. Um professor de Yoga, mais do que palrar cânticos, falar de energias, de espiritualidade, ou de se mostrar nesta ou naquela postura, terá de ser digno, com valores éticos consolidados pela prática dos Yamas e Niyamas. Que não venda realidades tidas como místicas, mas que saiba mostrar quem é, onde está e para onde pretende ir.


Os meus professores são pessoas que me inspiram a mais... bem haja Sharath, que tem a responsabilidade de seguir a tradição de Mysore, a linhagem do Ashtanga Yoga, que se formalizou com Shri T. Krishnamacharya (1888- 1989) e que se solidificou com Shri. K. Pattabhi Jois (1915-2009). Bem haja Rolf Naujokat, que um dia me relembrou que tinha de ser verdadeira comigo mesma e bem haja Carlos Rui, que me ensinou o que era uma prática regular.

terça-feira, 12 de abril de 2011

"Grow"

Há pessoas que com as suas palavras, inspiram os que estão ao seu redor, fazem-nos parar, escutar, pensar e decidir. Ás vezes são pessoas que aparecem no nosso caminho, apenas para nos ajudar a reflectir, que nos orientam a encontrar soluções para os nossos "problemas", que rapidamente reparamos que de problemas têm muito pouco, passam a ser caracterizados como pequenos obstáculos e invés de continuarmos a bater com a cabeça e andarmos nesta vida às apalpadelas, como se tivéssemos uma venda nos olhos e não conseguíssemos enxergar o que está à nossa frente, compreendemos que afinal, basta remover a venda, habituar os olhos à luz e andar em frente, contornar a dificuldade e retornando ao nosso caminho.


Há pessoas assim, há pessoas que surgem na nossa vida, directa ou indirectamente, para nos ajudarem a perceber que basta pensar, basta sentir, basta decidir e depois basta agir. Um professor de Yoga, também tem esta função a de inspirar, a de ajudar a olharmos mais para nós, a acreditarmos mais em nós mesmos, a percebermos que temos o necessário, dentro de nós, para mudar o que queremos mudar, para contornar o que precisa de ser contornado e para caminhar em qualquer direcção que seja um percurso para algo mais real.


David Swenson é uma desta pessoas, que ao falar, nos faz parar e nos faz relativizar, porque compreendemos que afinal simplesmente podemos mudar, podemos crescer, podemos ser mais felizes. Seja no Yoga ou na vida, há só um tempo para viver e esse é o nosso presente, que criará o nosso passado e que esboça o nosso futuro. Com opções mais felizes hoje, teremos memórias mais simpáticas e vidas com mais significado.

terça-feira, 29 de março de 2011

A Yogi





Praticar Ashtanga Yoga ou outro sistema de Yoga, não significa que os seus praticantes deixam de ter problemas, as dificuldades do dia-a-dia continuam a ser sentidas, o estar doente, o ser confrontado com problemas nos relacionamentos familiares, o vivenciar fases complicadas no emprego, etc. Praticar Yoga ou não, não significa que os obstáculos e as complicações quotidianas desaparecem, continuaremos a ter desafios que nos abalam o corpo, que nos moem a mente e que nos comprimem a alma. Mas sem dúvida que esta prática de Yoga, particularmente este Ashtanga Yoga, quando feito com regularidade e sinceridade, devolve força de vontade e habilidade interna para olharmos para nós mesmos e para o que está à nossa volta, e em consciência, arregaçarmos as mangas e darmos o nosso melhor, dentro e fora do tapete, nas duas horas de prática e nas restantes horas do nosso dia.


" A yogi is one who leaves the place a little nicer than when they arrived.",cit. David Swenson, DONAHAYE, Guy, STERN, Eddie, Guruji: a portrait of Sri K. Pattbhi Jois through the eyes of his students, , 1ªEd, NY, North Point Press, 2010

segunda-feira, 28 de março de 2011

Abhyasa


Respirar.
Respirar e formar o movimento de entrada, permanência e saída das posturas, marcando o ritmo do vinyasa, produzindo o tapas e o fogo interno que desencadeiam o processo de transformação, de limpeza interna, de circulação de energia, de oxigénio e de sangue, de purificação de um organismo vivo, repleto de potencial.


Inspirar.
Inspirar e expirar pelo nariz, escutando o som do Ujjayi que nasce na glote, estimulando a concentração, aguçando a atenção para o presente e recolhendo os sentidos para o interior.


Com o corpo.
Com o corpo desenhar as séries de posturas, segurando o mula bandha e o uddiyana bandha, para que as possamos saborear como contas de um mala, uma atrás da outra, cada uma a preparar a próxima para uma coreografia de conexão do corpo, da mente e da alma.


Focando os olhos.
Focando os olhos, fazemos uso dos 9 dristhis e consolidamos o crescente estado de concentração, que esboça o aspecto meditativo deste Ashtanga Yoga. Sem perdermos a consciência da respiração, dos movimentos, das posturas, dos bandhas e dos dristhis, vamos humildemente, criando as bases de uma prática de Ashtanga, que tem como ideal ser regular, consistente, alimentada pela experiência e não por palavras.


Abhyasa.
Abhyasa - "99% practice, 1% theory", Shri K. Pattabhi Jois (1915-2009).

quarta-feira, 23 de março de 2011

Back on my mat



Quando a vida me afasta da rotina da prática, nada é mais reconfortante do que voltar a sentir a textura do mat por debaixo dos meus pés. Sinto falta da prática, como quem sente a falta de uma grande companheira, aquela amiga que abraça quando é preciso, mas que me chama a atenção quando encho o peito e falo a linguagem do Ego.


Estar afastada da prática por opção, normalmente tem haver com preguiça, mas quando não é por escolha, tende a ter haver com doença. Saúde, é um estado que todos devemos conservar e que todos deveremos cultivar. Sem saúde, os nossos corpos deixam de funcionar na sua totalidade e as nossas mentes facilmente são confundidas.


Quanto ficamos presos nas limitações de uma qualquer doença, tendemos a repensar no significado de saúde e no seu valor, tendemos a olhar para a saúde de outro ponto de vista e normalmente, aumentamos a sua importância e organizamos o nosso dia-a-dia para conseguirmos tempo para o nosso instrumento de vida, o corpo. Tudo conta na conquista por mais saúde, seja com uma alimentação mais saudável, reduzir o consumo de café, de fritos, de doces e aumentar a actividade física, estacionar o carro longe e andar mais a pé, passear os cães numa rua mais distante, ir com os filhos ao parque do outro lado da avenida, voltar a ser sócio no ginásio ao lado de casa, ou marcar, finalmente, a tal aula de yoga que um colega recomendou. Tudo vale para voltar a sentir energia, funcionalidade e nova disposição.


Voltar ao tapete, depois de estar muitos dias de cama, é pura alegria. Voltar a sentir a respiração, os movimentos, as posturas, a integração do corpo com a mente, desfrutar novamente de liberdade e fortalecer este nosso veículo de vida, contra uma diversidade de doenças que infelizmente, sem darmos por ela, nos ataca.