terça-feira, 22 de março de 2011

Um pouco de esperança





Com a diversidade dos meios de informação e de comunicação, recebemos diariamente imagens, notícias, artigos que nos apresentam uma realidade que poderá abalar as nossas convicções, seguranças e certezas, em última instância a nossa fé e esperança.


É fácil perceber que o Mundo não está nada bem, quer seja porque assistimos a um documentário do género do Earthlings, ou porque vimos o telejornal, escutámos as notícias na rádio, folheámos as páginas de um jornal diário, que nos informam e recordam que estamos na era de Kali Yuga e que se não é mais uma guerra por petróleo, é mais uma guerra por poder, se não é mais uma catástrofe natural, é um possível desastre nuclear, se não é mais um episódio da crise económica, é um episódio da crise política, etc. Perder algum tempo, para escutar, ver ou ler sobre o que se passa neste nosso querido Portugal, ou sobre o que passa no resto do mundo, rapidamente nos leva a questionar sobre o nosso passado, presente e futuro.


E entre analisar, decidir e mudar, é bom lembrar que temos todos os dias a oportunidade de mudar o rumo da nossa vida. A cada segundo, temos a oportunidade de alterar o percurso da nossa história e sermos seres humanos mais conectados, mais inteligentes, mais sinceros, mais fortes, mais decididos e mais empreendedores.

terça-feira, 15 de março de 2011

Eco Yoga Mats



A prática de Ashtanga Yoga necessita de ser feita num tapete que tenha determinadas condições, acima de tudo que nos ajude a criar e a manter uma prática segura, estável e equilibrada. Desde 2006 que escolhemos os Eco Yoga Mats para serem os nosso companheiros de prática. Para nós são a melhor opção do mercado e por isso continuamos a praticar neles e os aconselhamos aos nossos alunos.


Estes tapetes produzidos no Reino Unido, são ecológicos, biodegradáveis, livres de PVC, anti-derrapantes, laváveis à máquina, pouco pesados e por isso super práticos. Quer seja para praticar na escola ou em casa, ou quando vamos de férias, estes tapetes servirão para que possamos beneficiar de uma prática confortável, sem perigos de escorregar ou de derrapar a cada vez que temos de saltar à frente ou atrás, ou cada vez que movemos um pé ou uma mão.

quarta-feira, 2 de março de 2011

YOGA STOPS TRAFFICK 2011



O Yoga Stops Traffick decorrerá no Ashtanga Cascais, no próximo dia 12 de Março, sábado, às 10h.
Junte-se a este evento mundial, ao qual participaram milhares de praticantes de Yoga, que neste dia, irão desenrolar os seus tapetes e executar simbolicamente alguns surya namaskar pela triste temática que é o tráfico humano na Índia, de crianças e mulheres e a sua exploração e abuso.


Com um significado de solidariedade, convido-o para uma aula muito especial, de prática de surya namaskar A. O intuito é executarmos os movimentos de acordo com a respiração, não haverá paragens nos Adho Mukha, de modo a mantermos uma dinâmica na sequência. A aula será guiada, segundo a contagem tradicional dos vinyasas, o número correcto de respirações de entrada e saída das posturas. Esta série de posturas, será praticada de acordo com as vossas capacidades e condições, será mantida até que vocês se sintam confortáveis. Se executarem 5, 10, 20, 50 ou 108 ciclos não interessa, o importante é a sua presença.


Os efeitos do Surya Namaskar são vários, destaco: maior flexibilidade e tonicidade dos músculos dos braços, costas, zona abdominal e pernas, expansão da capacidade respiratória, massagem dos órgãos internos, aumento da circulação sanguínea, aquecimento interno, promovendo uma desintoxicação através da transpiração. Aumento do nível de concentração, estabilidade e tranquilidade mental.




Colabore com a sua presença e se achar pertinente, traga os seus filhos, os seus pais, irmãos, ou alguns amigos para assistirem ou para praticarem.
Confirme a sua presença, por email, ou sms.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Yoga Stops Traffick 2011 - um pouco de contexto


O Ashtanga Cascais tem a honra de se juntar ao evento mundial, YOGA STOPS TRAFFICK, que consiste em despertar a atenção pública para a triste temática do tráfico humano na Índia, com os propósitos de exploração sexual, escravatura e abuso doméstico de crianças e mulheres. O YOGA STOPS TRAFFICK está associado á instituição indiana, Odanadi, que funciona em Mysore, cidade onde centenas de ocidentais se deslocam para estudarem Yoga.


A Odanadi nasceu há 20 anos atrás, e tem o objectivo de resgatar crianças e mulheres que foram sujeitas a tráfico para exploração sexual ou porque sofrem de abuso e trabalho forçado. A Odanadi foi criada em Mysore por dois jornalistas, o Stanly e o Parashuram, que decidiram fazer alguma coisa para mudar a vida destas crianças e mulheres e ao longo dos anos através do seu empenho e da ajuda de muitos voluntários, conseguiriam criar uma casa que recolhe estas crianças e mulheres e as reintegra na sociedade, orientando-as para superarem uma vida de dor e tristeza, para uma vida de luz, esperança e integridade.


O seu programa de terapia psíquica e social, foi reconhecido na Índia e internacionalmente, como a melhor prática para resgatar e reintegrar as crianças e mulheres que foram vitimas de tráfico humano, abuso sexual e doméstico. O método de terapia da Odanadi é desenvolvido de acordo com as necessidades individuais e utiliza uma série de actividades, como acompanhamento psicológico, técnicas teatrais, yoga, acupuntura, dança, de modo a instituir instrumentos físicos, mentais, emocionais, para que cada criança ou mulher adquira força, confiança e os mais variantes aspectos, para se reintegrar de forma saudável e positiva na sociedade.




Nestes últimos vinte anos, a Odanadi Seva Trust conseguiu salvar mais de 2000 crianças e mulheres, 57 das quais foram resgatadas de bordéis e conseguiram identificar 137 responsáveis por tráfico humano.


www.odanadi-uk.org
www.odanadisevatrust.org
www.yogastopstraffick.org

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Why i love Ashtanga Yoga?



Esta pergunta faz-me recordar os meus dias de prática, os bons e os que foram categorizados de maus, os fáceis, mas também os difíceis, aqueles em que o corpo estava forte e flexível e os que tudo me pesava, os que me fizeram sentir um estado de paz mental, sem assaltos a cada minuto por mais um pensamento e aqueles em que tudo foi agitação e a cada segundo precisava de gritar, para dentro de mim, um "CALA-TEEEE". Os dias em que me senti feliz, tranquila e os dias que o meu emocional esteve á espera de uma qualquer razão aparente, para me fazer soltar uma, duas ou três lágrimas, os dias em que a fluidez da respiração e do movimento, me fizeram acreditar no potencial desta prática e os dias em que os meus condicionamentos físicos, mentais, emocionais e energéticos punham à prova a minha disciplina e força de vontade.


Olhar para trás e recordar práticas, faz-me lembrar do que interpretei como avanços e retrocessos, a felicidade de alcançar determinada postura, o conseguir executar pela primeira vez o Marichyasana D ou a egocêntrica frustração de não conseguir fazer aquele asana, aquele asana que todos os dias trabalhava, que para mim sempre foi o Supta Kurmasana.


Este olhar para trás faz-me caminhar pelo meu mundo de opostos até que relembro aquele instante em que a prática de Ashtanga passou a ser mais que os benefícios físicos, quando me obrigou a começar a trabalhar a minha ansiedade, os meus medos e as minhas inseguranças, quando me fez perceber que tinha de desenvolver força de vontade, disciplina e dedicação e atiçou o tapas necessário para deparar-me com os meus condicionamentos. Assumir as minhas limitações e levantar a cabeça e com consciência, experimentando, errando ou não, caindo ou não, lá vim até aqui. O engraçado é que embora mais sábia e também mais velha, é fácil perceber que ainda tenho tanto que aprender, tanto para trabalhar.


Amo esta prática de Yoga, porque todos os dias me chama a atenção, para inspirar e expirar, no meu ritmo, com profundidade e a devoção necessárias para ir criando uma vida com significado.
Bem-haja Ashtanga Yoga!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como mudar (III) - o sankalpa


Pela observação e tomada de consciência dos nossos padrões conseguimos perceber os nossos samskaras positivos e os negativos, aqueles que vieram connosco quando nascemos e aqueles que fomos desenvolvendo ao longo dos anos pela correlação com os outros e com o que nos rodeia. Identificar os padrões negativos, aqueles que surgem constantemente e até que os que aparecem sem aviso, é o primeiro passo para os conseguirmos substituir.


Neste contexto interessa conhecer o conceito de Sankalpa, que significa intenção ou resolução, no fundo é o que pretendemos alcançar, é algo que nos ajuda a focar, a concentrar no que queremos atingir. Na prática consiste em dizermos para nós mesmos, uma frase curta, clara, concisa, positiva e colocada no presente, de modo a evocar aspectos positivos, que normalmente estão bloqueados no subconsciente. Pode ser feita mentalmente ou verbalmente e deve ser repetida algumas vezes, há autores que falam em repetir o sankalpa, 3x todos os dias mal se acorde, ou outros que referem que deverá ser feito no início e no fim da nossa prática de Yoga.


Definir um sankalpa significa criar uma resolução sentida, verdadeira e coerente, é um conjunto de palavras conjugadas no presente. Notem que para o Sankalpa ter força, poder, precisa de ser repetido sempre da mesma forma, ou seja serão sempre as mesmas palavras, se um dia dizem de uma maneira e no outro utilizam outras palavras, outro objectivo, deixa de ser Sankalpa e passa a ser apenas um desejo. O Sankalpa é mais que um mero desejo, é uma intenção feita após a identificação de algum aspecto negativo, que tem vindo a surgir na vossa vida vezes sem conta, é uma resolução que pretende ajudar a superar os nossos samskaras negativos. Um propósito sincero, ao qual evocamos diariamente, de modo a recordarmos-nos conscientemente do que pretendemos, uma evocação feita a apartir do coração, que nos incute um caminho, um rumo. E sempre que o samskara antigo "atacar", porque a qualquer momento do dia, sofremos armadilhas dos nossos padrões de comportamento e pensamento, temos o sankalpa para nos recordar para onde queremos ir e munidos de Tapas, de disciplina, focamos-nos para em consciência, criarmos mais tempo entre o impulso e a acção e sem medos colocarmos o que pretendemos em prática.


Seja quando acordarmos, ou quando começamos a prática de Yoga, ou quando lavamos os dentes em frente ao espelho, repetimos o sankalpa, concentrados no que afirmamos, focados em cada uma das palavras, centrando a mente para o momento e aproveitando esta intenção para substituir antigos samskaras.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Como mudar (II)

Quantas vezes nos vemos presos pela repetição de determinado comportamento, ou por sentirmos determinada sensação, emoção ou sentimento? Quantas vezes repetimos para nós mesmos, que vamos mudar, que vamos passar a agir de outra maneira, ou de sentir e pensar de outra forma? Mas sem percebermos, continuamos a repetir estes padrões, tornando-os cada vez mais fortes e profundos.


O Yoga deve ser observando como um reflexo de nós mesmos, um instrumento que nos leva a compreender como somos, um conjunto de técnicas práticas que exploram o nosso potencial como Ser Humano, que orientam o praticante para uma maior consciência de si mesmo. E pela veracidade de nos vermos, temos uma nova capacidade de alterar ou superar todos os condicionamentos que nos bloqueiam de uma vida mais feliz e mais saudável.
Em teoria tudo parece fácil, mas na prática, é um verdadeiro desafio. Superar as condicionantes da nossa mente, abrir as portas da nossa alma, é algo extremamente árduo e por isso muitas das vertentes do Yoga, começam pelo corpo, como no Ashtanga Yoga, ou outra forma de Hatha Yoga.


A mente está constantemente a produzir pensamentos, num segundo a nossa cabeça consegue levar-nos para diversos rumos e se nos identificamos com cada um destes, estamos constantemente ora no passado, ora no futuro. A prática de asana e respiração, mostra-nos o poder do presente, do estar no presente, o estar no momento, ou seja o estar em paz, estar no silêncio, sem a agitação frenética dos pensamentos, das emoções. À medida que a prática de Yoga se torna mais e mais regular, o praticante adquire mais e mais serenidade. 
A respiração (especialmente no Ashtanga Yoga) coordena o movimento e serve de medida para nos auto-observarmos, se repararem que estão a respirar que forma rápida, curta, sem ritmo, o mais provável é que não estejam focados nesta, desliguem-se da mente, retornem a atenção na quantidade de ar que entra pelas narinas e na quantidade de ar que saí, voltem a centrar-se, a sentirem o momento e verão que reencontram um estado de paz. 


Todos temos a hipótese de prestarmos atenção à nossa vida, de prestarmos atenção aquelas situações que repetidamente surgem e que nos fazem sentir mal, experiências que nos deixam sem paz e que conduz-nos a um estado de agitação, um estado negativo. Pela consciência destas situações, experiências, comportamentos, sentimentos, pensamentos, temos a oportunidade de parar o rol contínuo de acção e reacção, observando como reagimos e verificarmos que somos capazes de mudar. Se o padrão está demasiado enraizado, o mais provável é levarmos algum tempo até conseguirmos alterar este samskara. Mas se nos esforçarmos, como nos esforçamos numa primeira fase para esticarmos mais as pernas, alinharmos os braços, ou rodarmos um pouco mais a cabeça nas diversas posturas que temos nas sequências do Ashtanga, vamos aos poucos, lentamente, deixar o sacrifício e de uma forma orgânica, conseguirmos alterar os nossos condicionamentos.  Ou seja, como acontece no processo do nosso Yoga, à medida que somos mais regulares, vamos passando de um esforço físico acentuado para uma prática Sthira e Sukha das posturas, ou seja, conforto e facilidade. 


A observação e a consciência dos samskaras negativos, a correspondente pausa entre estes, e o tempo de reacção, permitem focarmos a mente e optarmos por agir, sentir ou pensar de forma diferente, substituindo antigos samskaras por novos. Sankalpa significa intenção, e utilizado de forma consciente, é um excelente canal de comunicação entre o que pretendemos alcançar e o que nos bloqueia, entre o nosso corpo físico e o nosso corpo mental e emocional. 


O Yoga vê o Ser Humano como um conjunto de corpos, camadas, ou níveis - em sânscrito chamam-se de koshas -  e o Sankalpa, quando usado de forma consciente, é um instrumento eficaz para comunicarmos entre as  camadas que vão desde o nosso corpo à nossa alma.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Como mudar (I)

Chega o ano novo e maioria das pessoas fazem uma espécie de auto-exame, avaliam o ano que passou, recordam o que conseguiram alcançar e também o que deixaram por concretizar, renovam as resoluções e intenções para o ano que começa e ganham nova motivação e força de vontade. Constroem mentalmente a ideia de um novo recomeço, mas o que fazer para mantermos a motivação ao longo de todo o ano? Quantas vezes decidimos alcançar determinado objectivo, por exemplo, correr todos os dias antes do trabalho, ou mudarmos a nossa alimentação, ou reduzirmos o uso do carro e andarmos mais a pé, mas passado poucos dias, sem darmos por ela, lá estamos novamente a agir e reagir segundo padrões antigos. Porque é tão fácil para alguns cumprirem o que pretendem e porque é mais complicado para outros mudar?


Segundo a filosofia do Yoga, viemos ao mundo com uma herança de padrões mentais e emocionais, que em conjunto com as impressões que ficam alojadas no nosso "subconsciente pelas nossas experiências diárias, sejam conscientes ou inconscientes, internas ou externas, desejadas ou não" (Georg Feurstein (1)), vão influenciando e condicionando a nossa predisposição, os nossos hábitos, moldando a nossa forma de ser, pensar e agir, esta herança e impressões chamam -se de samskaras.


Agimos e reagimos continuamente segundo a sua influência e ora estamos a criar novos samskaras, ora a reforçar antigos samskaras. Os nossos pensamentos, palavras e acções deste momento foram desenhadas pelo nosso passado e os pensamentos, palavras e acções deste momento irão influenciar o nosso futuro. É uma roda cíclica, um contínuo de causa e efeito, que na maioria das vezes é difícil de ser quebrado.


Todos os nossos pensamentos, sentimentos, palavras, acções, estruturam impressões no subconsciente, como se fossem cicatrizes e dependendo se o samskara foi criado por uma experiência, que é interpretada como feliz, boa, positiva, ou pelo contrário uma que seja caracterizada como negativa, traumática, ou até dolorosa, afectar-nos-à de uma forma positiva ou negativa. Gregor Maehle escreve sobre o Sutra III, II.10, " If we are in a state of calmness for one hour, this in itself will set a tendency for the future. If we then get agitated, agressive, or depressed, this also will call for repetition due to the imprints it leaves. If we constantly put in place imprints of calmness, the mind will slowly let go of its agitation and dullness and become calm." (2)


O samskara é mais que um hábito, porque congrega uma componente emocional e energética que condiciona as nossas emoções, comportamentos e o estado da nossa mente. Quando repetidos vezes sem conta, virão um hábito, mas são mais profundos do que este, nalguns conseguimos perceber a razão que nos leva a agir, pensar ou sentir daquela forma, no entanto existem samskaras muito profundos, difíceis de compreender a sua causa.
O que fazer para quebrar o ciclo interminável dos samskaras negativos? Como superar os seus condicionamentos e elevar-nos a uma vida mais feliz e mais saudável?


(1) Feuerstein, Georg, Shambhala Encyclopedia of Yoga.
(2) Maehle, Gregor, Ashtanga Yoga Practice & Philosophy, New World Library, 2007.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Com ou sem crenças...


Dentro desta sala coexistem diferentes pessoas, com corpos, mentes e crenças diferentes. Lado a lado praticam, alguns trocam sorrisos no inicio da aula, outros mostram-se frios e focam o olhar em frente, como se não existisse ninguém ao seu lado, uns lançam um olhar de piedade e compaixão, quando outro geme de dor ou de esforço, outros comportam-se como se estivessem numa corrida, o primeiro a chegar ganha, mesmo quando não existe no Yoga nenhuma regra de concorrência ou competição, há ainda aqueles que se namoram entre uma postura e outra, há também os que são amigos de sempre e que lá vão trocando risos às escondidas do professor e até existem alunos que são parentes, irmãos, pais e filhos, avós e netos, que praticam sempre lado a lado e enaltecem o elo familiar... a descrição dos alunos poderia continuar, dentro de uma sala de aula encontra-se de tudo e tudo é o reflexo da personalidade de cada um. Como se comportam em cima do tapete é como se comportam na vida e a hora ou hora e meia de prática de Yoga, mais cedo ou mais tarde, irá mostrar como realmente são, apresentando até aqueles aspectos que nunca conheceram ou que nunca quiserem conhecer.


Uns dobram-se mais e outros são mais rijos, uns conversam consigo mesmo durante toda a prática, em pleno diálogo mental, quase que fazem a lista das compras ou repensam no que irão cozinhar para o jantar e pelo contrário encontramos os que se focam na respiração e geram tanto calor, que conseguimos ver gotas e gotas de suor a escorrerem-lhes pela cara, uns já acreditam nos benefícios da prática e outros ainda estão na fase de a testarem, uns anseiam por chegar há terceira série de posturas do Ashtanga Yoga mas outros, não têm expectativas quanto às posturas... as motivações são diferentes, porque as pessoas são diferentes.


Mas além de todos estes aspectos, há ainda dentro desta sala, cristãos, judeus, protestantes, etc. Ninguém sabe da crença religiosa um do outro, bem como da crença política, mas ali estão, lado a lado a praticarem Yoga, apesar das motivações, apesar da habilidade física e foco mental, ali estão a desenvolverem um pouco mais o conhecimento e consciência sobre o seu corpo, a sua mente e a sua alma. Não importa as diferenças, mas sim o que lhes é comum.


(Em plena aula de Mysore, fui escutando fora da sala, uns barulhinhos, cheguei perto da porta e reconheci uma das alunas que já tinha acabado a prática, estava sentada no sofá da entrada, de frente para as fotos do meu Guruji, Shi K. Pattabhi Jois e do meu professor Sharath Rangswamy, bem como para as estatuetas de Shiva, Ganesha e Hanuman. Continuei a dar aula e os sons continuavam lá fora, cheguei mais perto da porta e percebi que esta aluna, que não é portuguesa, estava a rezar baixinho, na língua dela, que não é o português. No final da aula, quando ela ia a sair, despedi-me e reparei em duas medalhas que trazia ao pescoço, uma identifiquei logo como Jesus Cristo, a outra pressumi que seria de um santo. Desliguei as luzes da sala e também me sentei no sofá da entrada e constatei que uma escola é mesmo isso, um lugar onde pessoas de diferentes crenças, católicos, hindus, ateus, etc se juntam, por algo que lhes é comum, que é a prática. E embora a prática de Yoga, seja oriunda da Índia, país maioritariamente hindu, não significa que tenha de ser praticada apenas por hindus, ou por indianos, todos podem e devem praticar e nem por isso têm de deixar de lado o que acreditam!)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"Nunca desistir"










Passando os olhos pelo seu caminho profissional e pelo rol de prémios que alcançou, rápido se percebe que o que lhe dita os passos não é só um sonho, mas a perseverança, dedicação e disciplina. Tem como lema "nunca desistir", premissa que a motivou a obter 15 anos de experiências, de campeonatos, de vitórias, de viagens e de conhecimentos adquiridos por acreditar no que faz. Catarina Sousa, é uma atleta reconhecida no bodyboard nacional e internacional e com certeza ficará na história deste desporto.


Quando é que começaste a praticar bodyboard e como foi o teu percurso até decidires que querias competir?
Comecei a praticar no 1º encontro feminino de Bodyboard em 1993, em Carcavelos promovido pela Dora Gomes. Já queria fazer bodyboard há imensos anos, mas não podia porque os meus pais achavam que era um desporto masculino e com muito mau ambiente. Comecei a competir 1 ano depois, pois já queria há muito tempo.
Tens sido uma atleta importantíssima para o bodyboard português, no teu currículum tens uma colecção de vitórias nacionais e internacionais, depois de tantos prémios alcançados, como te sentes como TOP 4 Mundial em 2010?
O facto de estar no topo das melhores do mundo e os títulos conseguidos são fruto do meu esforço e dedicação ao longo de 15 anos. Durante estes anos escolhi estudar Educação Física e Desporto para aprender a ser uma atleta, acabei por apenas sair de casa dos pais aos 30 anos para ter dinheiro para fazer o Circuito Mundial e onde ao 33 anos ainda aposto tudo naquilo que gosto de fazer.
Com esta soma de prémios, consegues distinguir um, que te foi particularmente memorável?
Sem dúvida que sim. O 1º foi quando consegui o titulo de Campeã da Europa em 1998, mas o mais marcante foi quando consegui ganhar uma etapa do Circuito Mundial em Sintra. Sempre foi o meu sonho desde que comecei a competir. Este campeonato existe desde 1994 e desde esse ano até aos dias de hoje nunca falhei nenhum. Mas só em 2009 consegui vencer finalmente em casa. Ainda hoje não tenho palavras para descrever o que sinto!
Mas uma campeã, não vive só de vitórias, como digeres as contrariedades da competição?
Ganhar só ganha 1 e raramente é sempre a mesma. Por isso é como em tudo na vida há que aprender a viver com as derrotas. Sempre olhei para uma derrota como uma vontade de treinar e me dedicar ainda mais.
Em que consiste a tua preparação para os campeonatos?
Hoje em dia os meus treinos passam por estar muitas horas na água, cerca de 2h/3h dia no Inverno e 4h/5h no Verão. O yoga passou também a fazer parte desse treino, assim como a meditação. No inicio da época faço sempre preparação física, passando pela corrida e exercícios localizados.
Que papel e que importância tem a prática de Ashtanga Yoga na tua vida e nas tuas competições?
Desde as primeiras sessões apercebi-me que o Yoga me auxiliou e auxilia muito na competição. O trabalho de força e flexibilidade, associado à respiração é muito útil e uso isso em competição e até mesmo no meu dia-a-dia. Tudo está na nossa mente e é preciso aprender a saber controlá-la.
Catarina já andas com a prancha de bodyboard debaixo de um braço e um tapete de Yoga debaixo do outro, ou a tua dedicação estará sempre incondicionalmente para o teu desporto, o bodyboard?
Sinceramente nunca sei o dia de amanhã.
A verdade é que o Bodyboard já faz parte da minha vida há 15 anos e tenho ainda mais projectos para que possa fazer parte durante muito mais tempo. O Yoga é cada vez mais importante não só para a competição, mas também para o meu bem estar físico e psíquico, possivelmente continuarei a praticar ambos por muitos mais anos.

Esta mulher de estatura pequena tem a alma de gigante, é campeã, atleta, treinadora, professora, uma verdadeira impulsionadora do bodyboard em Portugal, comprova que com dedicação e trabalho tudo se consegue. E que o sonho é apenas uma semente para o sucesso, que é necessário força de vontade, espírito de sacrifício e humildade.