domingo, 27 de fevereiro de 2011

Yoga Stops Traffick 2011 - um pouco de contexto


O Ashtanga Cascais tem a honra de se juntar ao evento mundial, YOGA STOPS TRAFFICK, que consiste em despertar a atenção pública para a triste temática do tráfico humano na Índia, com os propósitos de exploração sexual, escravatura e abuso doméstico de crianças e mulheres. O YOGA STOPS TRAFFICK está associado á instituição indiana, Odanadi, que funciona em Mysore, cidade onde centenas de ocidentais se deslocam para estudarem Yoga.


A Odanadi nasceu há 20 anos atrás, e tem o objectivo de resgatar crianças e mulheres que foram sujeitas a tráfico para exploração sexual ou porque sofrem de abuso e trabalho forçado. A Odanadi foi criada em Mysore por dois jornalistas, o Stanly e o Parashuram, que decidiram fazer alguma coisa para mudar a vida destas crianças e mulheres e ao longo dos anos através do seu empenho e da ajuda de muitos voluntários, conseguiriam criar uma casa que recolhe estas crianças e mulheres e as reintegra na sociedade, orientando-as para superarem uma vida de dor e tristeza, para uma vida de luz, esperança e integridade.


O seu programa de terapia psíquica e social, foi reconhecido na Índia e internacionalmente, como a melhor prática para resgatar e reintegrar as crianças e mulheres que foram vitimas de tráfico humano, abuso sexual e doméstico. O método de terapia da Odanadi é desenvolvido de acordo com as necessidades individuais e utiliza uma série de actividades, como acompanhamento psicológico, técnicas teatrais, yoga, acupuntura, dança, de modo a instituir instrumentos físicos, mentais, emocionais, para que cada criança ou mulher adquira força, confiança e os mais variantes aspectos, para se reintegrar de forma saudável e positiva na sociedade.




Nestes últimos vinte anos, a Odanadi Seva Trust conseguiu salvar mais de 2000 crianças e mulheres, 57 das quais foram resgatadas de bordéis e conseguiram identificar 137 responsáveis por tráfico humano.


www.odanadi-uk.org
www.odanadisevatrust.org
www.yogastopstraffick.org

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Why i love Ashtanga Yoga?



Esta pergunta faz-me recordar os meus dias de prática, os bons e os que foram categorizados de maus, os fáceis, mas também os difíceis, aqueles em que o corpo estava forte e flexível e os que tudo me pesava, os que me fizeram sentir um estado de paz mental, sem assaltos a cada minuto por mais um pensamento e aqueles em que tudo foi agitação e a cada segundo precisava de gritar, para dentro de mim, um "CALA-TEEEE". Os dias em que me senti feliz, tranquila e os dias que o meu emocional esteve á espera de uma qualquer razão aparente, para me fazer soltar uma, duas ou três lágrimas, os dias em que a fluidez da respiração e do movimento, me fizeram acreditar no potencial desta prática e os dias em que os meus condicionamentos físicos, mentais, emocionais e energéticos punham à prova a minha disciplina e força de vontade.


Olhar para trás e recordar práticas, faz-me lembrar do que interpretei como avanços e retrocessos, a felicidade de alcançar determinada postura, o conseguir executar pela primeira vez o Marichyasana D ou a egocêntrica frustração de não conseguir fazer aquele asana, aquele asana que todos os dias trabalhava, que para mim sempre foi o Supta Kurmasana.


Este olhar para trás faz-me caminhar pelo meu mundo de opostos até que relembro aquele instante em que a prática de Ashtanga passou a ser mais que os benefícios físicos, quando me obrigou a começar a trabalhar a minha ansiedade, os meus medos e as minhas inseguranças, quando me fez perceber que tinha de desenvolver força de vontade, disciplina e dedicação e atiçou o tapas necessário para deparar-me com os meus condicionamentos. Assumir as minhas limitações e levantar a cabeça e com consciência, experimentando, errando ou não, caindo ou não, lá vim até aqui. O engraçado é que embora mais sábia e também mais velha, é fácil perceber que ainda tenho tanto que aprender, tanto para trabalhar.


Amo esta prática de Yoga, porque todos os dias me chama a atenção, para inspirar e expirar, no meu ritmo, com profundidade e a devoção necessárias para ir criando uma vida com significado.
Bem-haja Ashtanga Yoga!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como mudar (III) - o sankalpa


Pela observação e tomada de consciência dos nossos padrões conseguimos perceber os nossos samskaras positivos e os negativos, aqueles que vieram connosco quando nascemos e aqueles que fomos desenvolvendo ao longo dos anos pela correlação com os outros e com o que nos rodeia. Identificar os padrões negativos, aqueles que surgem constantemente e até que os que aparecem sem aviso, é o primeiro passo para os conseguirmos substituir.


Neste contexto interessa conhecer o conceito de Sankalpa, que significa intenção ou resolução, no fundo é o que pretendemos alcançar, é algo que nos ajuda a focar, a concentrar no que queremos atingir. Na prática consiste em dizermos para nós mesmos, uma frase curta, clara, concisa, positiva e colocada no presente, de modo a evocar aspectos positivos, que normalmente estão bloqueados no subconsciente. Pode ser feita mentalmente ou verbalmente e deve ser repetida algumas vezes, há autores que falam em repetir o sankalpa, 3x todos os dias mal se acorde, ou outros que referem que deverá ser feito no início e no fim da nossa prática de Yoga.


Definir um sankalpa significa criar uma resolução sentida, verdadeira e coerente, é um conjunto de palavras conjugadas no presente. Notem que para o Sankalpa ter força, poder, precisa de ser repetido sempre da mesma forma, ou seja serão sempre as mesmas palavras, se um dia dizem de uma maneira e no outro utilizam outras palavras, outro objectivo, deixa de ser Sankalpa e passa a ser apenas um desejo. O Sankalpa é mais que um mero desejo, é uma intenção feita após a identificação de algum aspecto negativo, que tem vindo a surgir na vossa vida vezes sem conta, é uma resolução que pretende ajudar a superar os nossos samskaras negativos. Um propósito sincero, ao qual evocamos diariamente, de modo a recordarmos-nos conscientemente do que pretendemos, uma evocação feita a apartir do coração, que nos incute um caminho, um rumo. E sempre que o samskara antigo "atacar", porque a qualquer momento do dia, sofremos armadilhas dos nossos padrões de comportamento e pensamento, temos o sankalpa para nos recordar para onde queremos ir e munidos de Tapas, de disciplina, focamos-nos para em consciência, criarmos mais tempo entre o impulso e a acção e sem medos colocarmos o que pretendemos em prática.


Seja quando acordarmos, ou quando começamos a prática de Yoga, ou quando lavamos os dentes em frente ao espelho, repetimos o sankalpa, concentrados no que afirmamos, focados em cada uma das palavras, centrando a mente para o momento e aproveitando esta intenção para substituir antigos samskaras.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Como mudar (II)

Quantas vezes nos vemos presos pela repetição de determinado comportamento, ou por sentirmos determinada sensação, emoção ou sentimento? Quantas vezes repetimos para nós mesmos, que vamos mudar, que vamos passar a agir de outra maneira, ou de sentir e pensar de outra forma? Mas sem percebermos, continuamos a repetir estes padrões, tornando-os cada vez mais fortes e profundos.


O Yoga deve ser observando como um reflexo de nós mesmos, um instrumento que nos leva a compreender como somos, um conjunto de técnicas práticas que exploram o nosso potencial como Ser Humano, que orientam o praticante para uma maior consciência de si mesmo. E pela veracidade de nos vermos, temos uma nova capacidade de alterar ou superar todos os condicionamentos que nos bloqueiam de uma vida mais feliz e mais saudável.
Em teoria tudo parece fácil, mas na prática, é um verdadeiro desafio. Superar as condicionantes da nossa mente, abrir as portas da nossa alma, é algo extremamente árduo e por isso muitas das vertentes do Yoga, começam pelo corpo, como no Ashtanga Yoga, ou outra forma de Hatha Yoga.


A mente está constantemente a produzir pensamentos, num segundo a nossa cabeça consegue levar-nos para diversos rumos e se nos identificamos com cada um destes, estamos constantemente ora no passado, ora no futuro. A prática de asana e respiração, mostra-nos o poder do presente, do estar no presente, o estar no momento, ou seja o estar em paz, estar no silêncio, sem a agitação frenética dos pensamentos, das emoções. À medida que a prática de Yoga se torna mais e mais regular, o praticante adquire mais e mais serenidade. 
A respiração (especialmente no Ashtanga Yoga) coordena o movimento e serve de medida para nos auto-observarmos, se repararem que estão a respirar que forma rápida, curta, sem ritmo, o mais provável é que não estejam focados nesta, desliguem-se da mente, retornem a atenção na quantidade de ar que entra pelas narinas e na quantidade de ar que saí, voltem a centrar-se, a sentirem o momento e verão que reencontram um estado de paz. 


Todos temos a hipótese de prestarmos atenção à nossa vida, de prestarmos atenção aquelas situações que repetidamente surgem e que nos fazem sentir mal, experiências que nos deixam sem paz e que conduz-nos a um estado de agitação, um estado negativo. Pela consciência destas situações, experiências, comportamentos, sentimentos, pensamentos, temos a oportunidade de parar o rol contínuo de acção e reacção, observando como reagimos e verificarmos que somos capazes de mudar. Se o padrão está demasiado enraizado, o mais provável é levarmos algum tempo até conseguirmos alterar este samskara. Mas se nos esforçarmos, como nos esforçamos numa primeira fase para esticarmos mais as pernas, alinharmos os braços, ou rodarmos um pouco mais a cabeça nas diversas posturas que temos nas sequências do Ashtanga, vamos aos poucos, lentamente, deixar o sacrifício e de uma forma orgânica, conseguirmos alterar os nossos condicionamentos.  Ou seja, como acontece no processo do nosso Yoga, à medida que somos mais regulares, vamos passando de um esforço físico acentuado para uma prática Sthira e Sukha das posturas, ou seja, conforto e facilidade. 


A observação e a consciência dos samskaras negativos, a correspondente pausa entre estes, e o tempo de reacção, permitem focarmos a mente e optarmos por agir, sentir ou pensar de forma diferente, substituindo antigos samskaras por novos. Sankalpa significa intenção, e utilizado de forma consciente, é um excelente canal de comunicação entre o que pretendemos alcançar e o que nos bloqueia, entre o nosso corpo físico e o nosso corpo mental e emocional. 


O Yoga vê o Ser Humano como um conjunto de corpos, camadas, ou níveis - em sânscrito chamam-se de koshas -  e o Sankalpa, quando usado de forma consciente, é um instrumento eficaz para comunicarmos entre as  camadas que vão desde o nosso corpo à nossa alma.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Como mudar (I)

Chega o ano novo e maioria das pessoas fazem uma espécie de auto-exame, avaliam o ano que passou, recordam o que conseguiram alcançar e também o que deixaram por concretizar, renovam as resoluções e intenções para o ano que começa e ganham nova motivação e força de vontade. Constroem mentalmente a ideia de um novo recomeço, mas o que fazer para mantermos a motivação ao longo de todo o ano? Quantas vezes decidimos alcançar determinado objectivo, por exemplo, correr todos os dias antes do trabalho, ou mudarmos a nossa alimentação, ou reduzirmos o uso do carro e andarmos mais a pé, mas passado poucos dias, sem darmos por ela, lá estamos novamente a agir e reagir segundo padrões antigos. Porque é tão fácil para alguns cumprirem o que pretendem e porque é mais complicado para outros mudar?


Segundo a filosofia do Yoga, viemos ao mundo com uma herança de padrões mentais e emocionais, que em conjunto com as impressões que ficam alojadas no nosso "subconsciente pelas nossas experiências diárias, sejam conscientes ou inconscientes, internas ou externas, desejadas ou não" (Georg Feurstein (1)), vão influenciando e condicionando a nossa predisposição, os nossos hábitos, moldando a nossa forma de ser, pensar e agir, esta herança e impressões chamam -se de samskaras.


Agimos e reagimos continuamente segundo a sua influência e ora estamos a criar novos samskaras, ora a reforçar antigos samskaras. Os nossos pensamentos, palavras e acções deste momento foram desenhadas pelo nosso passado e os pensamentos, palavras e acções deste momento irão influenciar o nosso futuro. É uma roda cíclica, um contínuo de causa e efeito, que na maioria das vezes é difícil de ser quebrado.


Todos os nossos pensamentos, sentimentos, palavras, acções, estruturam impressões no subconsciente, como se fossem cicatrizes e dependendo se o samskara foi criado por uma experiência, que é interpretada como feliz, boa, positiva, ou pelo contrário uma que seja caracterizada como negativa, traumática, ou até dolorosa, afectar-nos-à de uma forma positiva ou negativa. Gregor Maehle escreve sobre o Sutra III, II.10, " If we are in a state of calmness for one hour, this in itself will set a tendency for the future. If we then get agitated, agressive, or depressed, this also will call for repetition due to the imprints it leaves. If we constantly put in place imprints of calmness, the mind will slowly let go of its agitation and dullness and become calm." (2)


O samskara é mais que um hábito, porque congrega uma componente emocional e energética que condiciona as nossas emoções, comportamentos e o estado da nossa mente. Quando repetidos vezes sem conta, virão um hábito, mas são mais profundos do que este, nalguns conseguimos perceber a razão que nos leva a agir, pensar ou sentir daquela forma, no entanto existem samskaras muito profundos, difíceis de compreender a sua causa.
O que fazer para quebrar o ciclo interminável dos samskaras negativos? Como superar os seus condicionamentos e elevar-nos a uma vida mais feliz e mais saudável?


(1) Feuerstein, Georg, Shambhala Encyclopedia of Yoga.
(2) Maehle, Gregor, Ashtanga Yoga Practice & Philosophy, New World Library, 2007.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Com ou sem crenças...


Dentro desta sala coexistem diferentes pessoas, com corpos, mentes e crenças diferentes. Lado a lado praticam, alguns trocam sorrisos no inicio da aula, outros mostram-se frios e focam o olhar em frente, como se não existisse ninguém ao seu lado, uns lançam um olhar de piedade e compaixão, quando outro geme de dor ou de esforço, outros comportam-se como se estivessem numa corrida, o primeiro a chegar ganha, mesmo quando não existe no Yoga nenhuma regra de concorrência ou competição, há ainda aqueles que se namoram entre uma postura e outra, há também os que são amigos de sempre e que lá vão trocando risos às escondidas do professor e até existem alunos que são parentes, irmãos, pais e filhos, avós e netos, que praticam sempre lado a lado e enaltecem o elo familiar... a descrição dos alunos poderia continuar, dentro de uma sala de aula encontra-se de tudo e tudo é o reflexo da personalidade de cada um. Como se comportam em cima do tapete é como se comportam na vida e a hora ou hora e meia de prática de Yoga, mais cedo ou mais tarde, irá mostrar como realmente são, apresentando até aqueles aspectos que nunca conheceram ou que nunca quiserem conhecer.


Uns dobram-se mais e outros são mais rijos, uns conversam consigo mesmo durante toda a prática, em pleno diálogo mental, quase que fazem a lista das compras ou repensam no que irão cozinhar para o jantar e pelo contrário encontramos os que se focam na respiração e geram tanto calor, que conseguimos ver gotas e gotas de suor a escorrerem-lhes pela cara, uns já acreditam nos benefícios da prática e outros ainda estão na fase de a testarem, uns anseiam por chegar há terceira série de posturas do Ashtanga Yoga mas outros, não têm expectativas quanto às posturas... as motivações são diferentes, porque as pessoas são diferentes.


Mas além de todos estes aspectos, há ainda dentro desta sala, cristãos, judeus, protestantes, etc. Ninguém sabe da crença religiosa um do outro, bem como da crença política, mas ali estão, lado a lado a praticarem Yoga, apesar das motivações, apesar da habilidade física e foco mental, ali estão a desenvolverem um pouco mais o conhecimento e consciência sobre o seu corpo, a sua mente e a sua alma. Não importa as diferenças, mas sim o que lhes é comum.


(Em plena aula de Mysore, fui escutando fora da sala, uns barulhinhos, cheguei perto da porta e reconheci uma das alunas que já tinha acabado a prática, estava sentada no sofá da entrada, de frente para as fotos do meu Guruji, Shi K. Pattabhi Jois e do meu professor Sharath Rangswamy, bem como para as estatuetas de Shiva, Ganesha e Hanuman. Continuei a dar aula e os sons continuavam lá fora, cheguei mais perto da porta e percebi que esta aluna, que não é portuguesa, estava a rezar baixinho, na língua dela, que não é o português. No final da aula, quando ela ia a sair, despedi-me e reparei em duas medalhas que trazia ao pescoço, uma identifiquei logo como Jesus Cristo, a outra pressumi que seria de um santo. Desliguei as luzes da sala e também me sentei no sofá da entrada e constatei que uma escola é mesmo isso, um lugar onde pessoas de diferentes crenças, católicos, hindus, ateus, etc se juntam, por algo que lhes é comum, que é a prática. E embora a prática de Yoga, seja oriunda da Índia, país maioritariamente hindu, não significa que tenha de ser praticada apenas por hindus, ou por indianos, todos podem e devem praticar e nem por isso têm de deixar de lado o que acreditam!)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"Nunca desistir"










Passando os olhos pelo seu caminho profissional e pelo rol de prémios que alcançou, rápido se percebe que o que lhe dita os passos não é só um sonho, mas a perseverança, dedicação e disciplina. Tem como lema "nunca desistir", premissa que a motivou a obter 15 anos de experiências, de campeonatos, de vitórias, de viagens e de conhecimentos adquiridos por acreditar no que faz. Catarina Sousa, é uma atleta reconhecida no bodyboard nacional e internacional e com certeza ficará na história deste desporto.


Quando é que começaste a praticar bodyboard e como foi o teu percurso até decidires que querias competir?
Comecei a praticar no 1º encontro feminino de Bodyboard em 1993, em Carcavelos promovido pela Dora Gomes. Já queria fazer bodyboard há imensos anos, mas não podia porque os meus pais achavam que era um desporto masculino e com muito mau ambiente. Comecei a competir 1 ano depois, pois já queria há muito tempo.
Tens sido uma atleta importantíssima para o bodyboard português, no teu currículum tens uma colecção de vitórias nacionais e internacionais, depois de tantos prémios alcançados, como te sentes como TOP 4 Mundial em 2010?
O facto de estar no topo das melhores do mundo e os títulos conseguidos são fruto do meu esforço e dedicação ao longo de 15 anos. Durante estes anos escolhi estudar Educação Física e Desporto para aprender a ser uma atleta, acabei por apenas sair de casa dos pais aos 30 anos para ter dinheiro para fazer o Circuito Mundial e onde ao 33 anos ainda aposto tudo naquilo que gosto de fazer.
Com esta soma de prémios, consegues distinguir um, que te foi particularmente memorável?
Sem dúvida que sim. O 1º foi quando consegui o titulo de Campeã da Europa em 1998, mas o mais marcante foi quando consegui ganhar uma etapa do Circuito Mundial em Sintra. Sempre foi o meu sonho desde que comecei a competir. Este campeonato existe desde 1994 e desde esse ano até aos dias de hoje nunca falhei nenhum. Mas só em 2009 consegui vencer finalmente em casa. Ainda hoje não tenho palavras para descrever o que sinto!
Mas uma campeã, não vive só de vitórias, como digeres as contrariedades da competição?
Ganhar só ganha 1 e raramente é sempre a mesma. Por isso é como em tudo na vida há que aprender a viver com as derrotas. Sempre olhei para uma derrota como uma vontade de treinar e me dedicar ainda mais.
Em que consiste a tua preparação para os campeonatos?
Hoje em dia os meus treinos passam por estar muitas horas na água, cerca de 2h/3h dia no Inverno e 4h/5h no Verão. O yoga passou também a fazer parte desse treino, assim como a meditação. No inicio da época faço sempre preparação física, passando pela corrida e exercícios localizados.
Que papel e que importância tem a prática de Ashtanga Yoga na tua vida e nas tuas competições?
Desde as primeiras sessões apercebi-me que o Yoga me auxiliou e auxilia muito na competição. O trabalho de força e flexibilidade, associado à respiração é muito útil e uso isso em competição e até mesmo no meu dia-a-dia. Tudo está na nossa mente e é preciso aprender a saber controlá-la.
Catarina já andas com a prancha de bodyboard debaixo de um braço e um tapete de Yoga debaixo do outro, ou a tua dedicação estará sempre incondicionalmente para o teu desporto, o bodyboard?
Sinceramente nunca sei o dia de amanhã.
A verdade é que o Bodyboard já faz parte da minha vida há 15 anos e tenho ainda mais projectos para que possa fazer parte durante muito mais tempo. O Yoga é cada vez mais importante não só para a competição, mas também para o meu bem estar físico e psíquico, possivelmente continuarei a praticar ambos por muitos mais anos.

Esta mulher de estatura pequena tem a alma de gigante, é campeã, atleta, treinadora, professora, uma verdadeira impulsionadora do bodyboard em Portugal, comprova que com dedicação e trabalho tudo se consegue. E que o sonho é apenas uma semente para o sucesso, que é necessário força de vontade, espírito de sacrifício e humildade.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

One by one


Porque todos temos uma vida cheia de responsabilidades, para com família, trabalho e todas as variantes de uma vivência social que exige uma série de interacções, de vez em quando acontece, não temos tempo para executar o conjunto de posturas que aprendemos na escola. O que fazer? Não praticar nesse dia ou praticar menos?

Qualquer professor de Ashtanga Vinyasa Yoga que tenha frequentado o KPJAYI, em Mysore, afirmará que todos devem praticar até á última postura que receberam, que não devem omitir posturas, especialmente aquelas que menos gostam ou que custam mais, que não devem adicionar posturas que não vos foram ensinadas, que devem esperar na última postura que receberam e só avançam para a próxima quando o professor vos ensinar, que há um respeito a ser mantido em relação ao vosso professor e ao sistema de yoga que estão a praticar.

Nos dias que o tempo é escasso deverão praticar, mesmo que seja menos. Se não sabem o que praticar quando têm menos tempo, lembrem-se que o método correcto de ensino e prática do Ashtanga Vinyasa Yoga, assenta na prática da sequência sem omissões e adições de posturas

Mantenham a base das séries, respeitando a sua ordem precisa e de acordo com o vosso tempo pratiquem, os surya nasmaskar A e B (3 ou 5 ciclos), prossigam para as posturas de pé, podem parar em Parsvottanasana (as mãos unidas entre as omoplatas), passam para as posturas finais e o descanso (mais ou menos de 5 minutos) e terão uma prática de 30 minutos. Se ainda têm disponibilidade então façam todas as posturas de pé (até Virabhadrasana B), mais as posturas finais e o descanso, resultando numa prática de 45 minutos. De acordo com o tempo vão aumentando as posturas, mas sem invenções ou seja, seguindo a ordem desta, o sistema está estabelecido para que cada postura prepara a próxima.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Ashtanga Way mas sem pressão


Sharath Rangswamy, neto do Guruji (1915-2009), continua a acentuar que esta prática deve ser feita 6x por semana, com um dia de descanso, normalmente ao sábado e com pausa nos dias de lua nova e lua cheia. Que as séries de posturas têm uma ordem precisa, onde a anterior prepara a próxima e que é esperado que o aluno as pratique como lhe foi ensinado, sem omissões ou adições de asanas. Que o método foi concebido como prática diária, que prepara o corpo para um controlo da mente e que pela respiração e pelas posturas, o sadhaka (praticante) vai desenvolvendo uma relação mais sincera consigo mesmo, com os outros e com o que o rodeia.

Seguindo este caminho, o praticante vai adquirindo um maior compromisso, dedicação e disciplina para com a prática, mas estas características não são impostas pelo professor nem pelo próprio método, o professor apenas mostra como este sistema de Yoga funciona e o método é descrito sem estar assente em dogmas ou sem estar delineado por regras rígidas, recorde-se que este tem sido adaptado ao longo dos anos, primeiro por Krishnamacharya, depois pelo Guruji e provavelmente será ajustado pelo próprio Sharath. Não o fizeram porque lhes deu na cabeça, mas porque a investigaram no seu próprio corpo e porque a observaram directamente nos seus alunos. Recorde-se que Krishanamacharya é reconhecido como um dos grandes mestres do Yoga, muito contribuindo para o conhecimento desta filosofia prática e que Pattabhi Jois teve um papel de destaque na difusão mundial do Ashtanga Yoga.

Todos temos diferentes percepções, motivações e resoluções para com esta prática, cabe a cada um decidir o que fazer com ela e como geri-la, mas por outro lado é papel do professor motivar os alunos para uma prática mais regular, sincera e dedicada, sem que isso signifique pressão ou imposição. Porque o professor existe para providenciar luz, mais discernimento, conhecimento, para facilitar, para abrir caminho, mas é sempre o aluno que decide se quer ou não seguir as suas indicações. Existe liberdade, mas terá sempre de haver respeito, respeito para com o professor e para com o sistema de Yoga que pratica.

Ashtanga sim, pressão não.
Método sim, dogma não.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

As fases da Lua e o Ashtanga Yoga



Segundo a tradição de Shri K. Pattabhi Jois (1915-2009) que continua a ser difundida por Sharath Rangwswamy, não se pratica Ashtanga Vinyasa Yoga nos dias de lua nova e lua cheia. O ser humano é maioritariamente constituído por água e como as luas influenciam as marés, acredita-se que estas também terão uma predominância sobre nós. Nestes dias ficamos com uma energia mais instável, que tem implicações no nosso corpo e na nossa mente, criando maior propensão a nos magoarmos durante a prática.

Dias de lua nova e lua cheia em 2011 -
Janeiro -
Lua Nova - dia 4, terça-feira
Lua Cheia - dia 19, quarta-feira

Fevereiro -
Lua Nova - dia 3, quinta-feira
Lua Cheia - dia 18, sexta-feira

Março -
Lua Nova - dia 4, sexta-feira
Lua Nova - dia 19, sábado
Abril -
Lua Nova - dia 3, Domingo
Lua Cheia - dia 18, segunda-feira

Maio -
Lua Nova - dia 3, terça-feira
Lua Cheia - dia 17, terça-feira

Junho -
Lua Nova - dia 1, quarta-feira
Lua Cheia - dia 15, quarta-feira

Julho -
Lua Nova- dia 1, sexta-feira
Lua Cheia - dia 15, sexta-feira
Lua Nova - dia 30, sábado

Agosto -
Lua Cheia - dia 13, sábado
Lua Nova - dia 29, segunda-feira

Setembro -
Lua Cheia - dia 12, segunda-feira
Lua Nova - dia 27, terça-feira

Outubro -
Lua Cheia - dia 12, quarta-feira
Lua Nova - dia 26, quarta-feira

Novembro -
Lua Cheia - dia 10, quarta-feira
Lua Nova - dia 25, sexta-feira

Dezembro -
Lua Cheia - dia 10, sábado
Lua Nova - dia 24, sábado